"É preciso honestidade, trabalho, estudo, relacionamentos e perseverança para a conquista de um lugar ao Sol." Com estas palavras, Maria Clara doutrinava seus filhos e indicava o caminho para o futuro da família. Mulher simples, de uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, tinha um sonho empreendedor de ser uma costureira famosa em uma cidade grande. Virgilio, mineiro como ela, também alimentava o desejo de ser um grande empreiteiro de obras. Casados, estabeleceram-se em São Paulo na década de 1940. A pujante cidade crescia em uma velocidade espantosa, abrindo espaço para as ambições de quem quisesse ousar e empreender. Mas só desejo e vontade não eram suficientes, embora necessário. A natureza, as circunstâncias, a selvagem competição, eram obstáculos a serem enfrentados e difíceis de serem vencidos. Maria CLara, além de enfrentar o ambiente machista que marcava a sociedade, viveu seu drama de ser mulher em uma época em que não se tinha controle de natalidade. Em pouco tempo, teve vários filhos, o que comprometeu seu trabalho, impedindo a realização de seu sonho de ser empreendedora, além de levá-la a um período de muita pobreza. Resiliente, determinada e inquebrantável, jamais desistiu de seu objetivo de conquistar um lugar ao sol. Se não fosse por ela, seria através filhos. A sua pungente história é um exemplo motivador que não se deve desistir jamais de seus sonhos.
Maria Clara - A conquista de um lugar ao sol
Virgilio Pedro Rigonatti
Edições (1)
Ver maisO livro que é sequencia de "Maria Clara, A Filha do Coronel" conta a história de Maria Clara ao sair de Itamogi, após seu casamento. Filha "bastarda" do coronel da cidade, Maria Clara foi criada pela mãe, sempre se esforçou nos estudos, e se tornou uma ótima modista, mas achava que na pequena cidade não teria chances, queria viver em uma grande cidade. " O coronel Lucas, embora tivesse admitido a paternidade, não me assumiu, mantendo distancia de um envolvimento emocional e presencial, alias, o que fazia com os outros filhos na mesma condição." Em um baile na cidade ela conhece Virgílio se casa após um breve namoro, e acredita que finalmente realizara seu sonho: ter seu próprio atelier. Mas logo após chegar com seu marido em São Paulo percebeu que não seria tão fácil, nunca perdeu a esperança, mas a chegada dos filhos e os problemas financeiros que o marido enfrentava no trabalho, tornou a vida de Maria muito sofrida. Mesmo assim Maria conseguiu seu atelier e como era uma ótima costureira nunca ficava sem clientela. O casamento não era exatamente o que havia sonhado e com o tempo o amor se desgastou e Maria se viu sozinha com os filhos, sempre lutando por uma vida digna. " O homem, nessa época, impunha seu machismo não só determinando que o cuidar e educar os filhos eram coisas de mulher, bem como procriando uma prole imensa como prova de virilidade." Comecei a ler este livro por ter me apaixonado pela capa, e por ser modelista quis ler sobre esta mulher que tinha o sonho de costurar. Só posso dizer que tive a chance de saber mais sobre um exemplo de mulher e mãe. Cada batalha vencida por ela me encheu de orgulho. Ao ver o sofrimento dela ao tentar dar o melhor para os filhos mesmo na miséria em que chegou a viver, sofri com ela, e torci muito enquanto lia, pois uma mulher forte como Maria Clara merecia o melhor, e sim ela lutou contra o machismo, a pobreza, ela enfrentou todas as adversidades com muita forca. " Era extenuante toda essa lida de costura,cuidar de crianças dentro de uma pequena sala me locomover com todos eles diariamente da casa ao trabalho e vice-versa. Mas se já era extremamente trabalhoso, acentuou-se quando descobri que, mais uma vez, estava gravida." O livro foi muito bem escrito, com detalhes que nos levam de volta a antiga São Paulo e o começo de seu desenvolvimento, com seu rios limpos, seus bondinhos e a elegância das damas. Se você gosta de ouvir histórias contadas por seus pais ou seus avós, garanto que irá adorar essa linda história.
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