Este livro quase se encaixaria na descrição de um romance histórico, pelo modo como conta a história da descoberta, paulatina, das maiores ruínas da civilização Inca. O leitor se imagina desbravando as florestas tropicais, temendo os perigos, vivendo as dificuldades enfrentadas pelo grupo de Hiram Bingham. Não ficam de fora os conflitos entre os espanhóis "conquistadores" (ou "destruidores"? Certamente ambos os lados da mesma moeda), a história da retirada dos últimos Incas para o que hoje se conhece como Machu Picchu (mas que provavelmente já se chamou Vilcabamba Velha e, originalmente, Tampu-tocco), a narrativa das atrocidades cometidas em nome da ganância espanhola e da imposição religiosa, que ao longo dos séculos dizimou povos em nome de Deus e da "religião certa a ser seguida". Bingham narra suas aventuras e suas descobertas de maneira fantástica, além de nos brindar com informações históricas ricas e preciosas sobre a história e a origem dos Incas, seus hábitos, sua forma de vida, sua arquitetura, confecção de utensílios e roupas, domesticação de llamas e alpacas (que, surpreendentemente para mim, foram espécies que os Incas desenvolveram a partir dos camelos!) e, obviamente, sua adoração pelo deus-Sol. Destaque para as evidências de como, mais uma vez, a igreja católica, não separadamente da coroa de um país, nesse caso a Espanha, desejou impôr sua fé a povo que só desejava seguir com suas vidas e tradições, e que, por isso, sofreu brutais consequências. Marco o livro como favorito pelo valor que ele tem. A quinta estrela não foi concedida unicamente por conta da riqueza de detalhes de cada passo dado pelas expedições de Bingham pelas selvas tropicais, algo admirável, mas que traz um certo enfado às vezes.