Alcibíades quis subordinar Sócrates ao objeto de seu desejo, dele, Alcibíades, que é agalma, o bom objeto. Como não reconhecermos, nós analistas, o que está em questão? Isso é dito claramente: é o bom objeto que Sócrates tem no ventre. Sócrates, ali, não é mais que um invólucro daquilo que é o objeto do desejo. É mesmo para marcar que ele não passa desse invólucro que Alcibíades quis manifestar que Sócrates é, em relação a ele, servo do desejo, que Sócrates lhe está assujeitado pelo desejo. O desejo de Sócrates, ainda que o conhecesse, ele quis vê-lo manifestar-se em seu sinal, para saber que o outro, objeto, agalma, estava à sua mercê. Ora, é justamente o ter fracassado nessa tentativa que, para Alcibíades, o cobre de vergonha. [...] É que, diante de todos, é desvelado em seu traço o segredo mais chocante, a última mola do desejo, que sempre obriga, no amor, a dissimulá-lo um pouco: seu objetivo é a queda do Outro, A, em outro, a.
O Seminário, livro 8 - a transferência
Jacques Lacan
Zahar
2010
485 páginas
16h 10m
ISBN-13: 9788571102361
Português Brasileiro
Edições (1)
Ver maisResenhas (2)Ver mais
Estatísticas
Avaliações
4.7 / 25- 5 estrelas76%
- 4 estrelas20%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas4%
- 1 estrelas0%

