Quando terminei "A Balada do esquecido", pude comprovar duas coisas: a capa não condiz com o conteúdo do livro (e por isso não levou 5 estrelas – o projeto gráfico ficou a desejar, mas aguardamos uma nova edição com uma capa no mesmo nível que o conteúdo) e há tempos que não lia um livro contemporâneo que me deixou a admirar, como há tempos não admirava, essa narrativa em camadas. De certa forma as memórias de Nuno me lembram as camadas da obra fílmica "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Quando achamos que estamos indo para determinada direção, somos transportados para outra, mas tudo bem em sermos jogados de um lado para o outro porque entre lembranças e fatos, a mágica reside em compreender que nunca houve um resquício de ordem e é essa a beleza da composição.
Em meio a melodias, os personagens exploram territórios de periferia e exterior como navegantes de um mar ora revolto ora em placidez, ora próprio para admirar estrelas, ora local para temer tempestades. Não há aqui cronologia, mas memórias entrecortadas sobre sujeitos com vozes rasgadas, tentativas de não se cair em abismos. A cada camada que adentramos, descobrimos um pedaço da história e que "recordar machuca muitas vezes".
Citação preferida:
– Só uma palavra me devora: aquela que o coração não diz.