A outra margem do caminho (J. Krishnamurti). Melhores trechos: "...Porque necessitais de alguma teoria e porque aceitais alguma crença? Essa constante asserção de crença é sinal de medo - medo da vida de cada dia, medo do sofrimento, medo da morte e da total sem significação da vida. Por conseguinte, inventa-se uma teoria, e quanto mais sutil e erudita essa teoria, mais peso tem. E após dois ou dez mil anos de propaganda, ela se torna, invariável e irracionalmente, 'a verdade'... Dentro da estreita cultura da sociedade não há liberdade, e porque não há liberdade há desordem. Vivendo no meio dessa desordem, busca o homem a liberdade em ideologias, em teorias, naquilo a que chama Deus. Essa fuga não é libertadora. Leva-o de volta ao pátio da prisão que separa os homens uns dos outros. Pode o pensamento, que a si próprio impôs esse condicionamento, cessar, quebrar essa estrutura, transcendê-la? Não pode, evidentemente. É este o primeiro fator que temos de ver: o intelecto nenhuma possibilidade tem de lançar uma ponte entre si e a liberdade. O pensamento, que é reação da memória, da experiência, do conhecimento, é sempre velho, como o é também o intelecto, e o velho não pode construir uma ponte para o novo. O pensamento é, essencialmente, o observador com seus preconceitos, temores e ansiedades, e essa 'imagem pensante', em virtude de seu isolamento, cria naturalmente uma esfera em torno de si. Há, assim, distância entre o observador e a coisa observada. O observador quer estabelecer relações, preservando essa distância; por essa razão existe conflito e violência... A estrutura construída pelo pensamento - a idéia de amor, de Deus, de cultura, a ideologia do politburo - toda essa estrutura tem de ser inteiramente rejeitada para que o novo se torne existente. O novo não pode ajustar-se ao velho padrão. Em verdade, temeis rejeitar completamente o velho padrão..."