Pareto - Manual De Economia Política (Os Economistas #I) -

    Vilfredo Pareto

    Victor Civita
    1984
    185 páginas
    6h 10m
    ISBN-10: 8535109140
    Português Brasileiro

    Há autores que são conhecidos pela capacidade de sintetizar as idéias de seu tempo e lançar as bases para o desenvolvimento do conhecimento. Há outros cujo reconhecimento emerge do conjunto de sua obra, por sua amplitude e profundidade. Há ainda aqueles que têm seus nomes associados a uma obra-prima ou a um conceito fundamental e revolucionário. Há, por fim, autores que são reconhecidos por todos esses motivos. Vilfredo Pareto é um economista que pertence a essa seleta classe de autores. Tratar, em pouco espaço, a vida e a obra de um intelectual como Pareto — que transitou da Matemática à Sociologia, passando pela Economia, e que ocupou importantes cargos executivos, políticos e acadêmicos — não é tarefa fácil. Nesta apresentação buscarei resumir o essencial de sua vida e de sua produção intelectual no que diz respeito especificamente ao campo da Economia, apesar das limitações de um esforço como este. Esta apresentação está dividida em duas seções. A primeira é uma breve memória da vida de Vilfredo Pareto em seus vários aspectos — pessoal, profissional, político e acadêmico. A segunda seção apresenta suas contribuições aos vários ramos da Teoria Econômica e uma breve bibliografia do autor.

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    Bruno de Lima17/05/2025Resenhou um livro
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    Ultrapassado e problemático

    Trazer uma visão puramente objetiva deste texto é uma tarefa difícil. A primeira dificuldade está em que grande parte desse assunto da economia clássica já foi superada com a economia comportamental e os estudos de psicologia. Essa visão de uma economia racional, controlada pelo balanço entre forças e obstáculos não se sustenta mais. A segunda dificuldade, e talvez na visão de alguns a mais crítica, é que o autor destila ao longo das suas teorias todas as suas preconcepções de mundo e sociedade, bem como uma visão supremacista da sua própria origem e sociedade junto do menosprezo que carrega pelas mulheres. Ao tentar tornar sua teoria mais matemática, parte de premissas que você precisa aceitar serem verdadeiras, caso contrário nada demonstrado faz sentido. E no fim acredito que o autor sabe disso, pois durante todo o texto ele tenta se esquivar com “mini desculpas”, já prevendo que seria questionado sobre esta fragilidade. A decisão de trocar o termo clássico de “utilidade” para “ofelimidade” parece ser outro caso, para tentar se afastar da já tão criticada teoria que se diz matemática e não consegue nem definir unidade de medida e nem forma de medir. O autor também recursivamente pontua sobre o impacto das emoções, o que é algo que a psicologia comportamental comprova atualmente. Porém, ele nunca se coloca como também afetado por ela. Para ele, todos os outros são afetados pela emoção ao fazerem sua teoria, mas ele é imune a tal efeito porque faz parte de um grupo seleto de cientistas matemáticos que estão acima disso. Novamente, é aquela visão aristocrática que paira por todo o texto. Outro fato que transborda pelo texto é uma espécie de ressentimento. O autor se coloca como parte da classe mais alta, que deveria estar completamente preenchida por “fortes”, porém na sua visão ela está infestada por “fracos”. O que é fraco ou forte não se sabe ao certo. Novamente, o autor se enrosca no moralismo que ele tanto critica, já que esta parte da sua teoria econômica política é baseada em fortalezas e fraquezas que são de origem do indivíduo e não da sociedade. Por fim, é importante falar da própria economia e do método matemático tão preconizado pelo autor. Ao final do livro é apresentada uma conclusão fundamentada unicamente na média de uma distribuição. Na época em que foi escrito, o autor já deveria de ter acesso aos mecanismos da estatística descritiva para não cair nessa falácia (e como ele apresenta as famosas distribuições normais em uma apresentação completamente aleatória, ele certamente deveria de ter este conhecimento). Em relação equilíbrio econômico, a teoria é simplesmente teórica e o trocadilho é a melhor forma de definir. O autor frequentemente utiliza de gráficos para provar sua lógica, mas como estes gráficos são obtidos novamente fica como premissa. Você precisa aceitar que existem curvas de indiferença e que elas se comportam daquela forma, o que já é contestado pela economia comportamental. Sem mencionar que nenhum ser humano toma decisões desta forma, já que é simplesmente impossível para uma pessoa dizer que a quantidade X do produto A lhe confere a mesma ofelimidade da quantidade Y do produto B, de modo que tome decisões de troca baseadas nessa relação. Retorno ao comentado no início, é difícil fazer uma análise objetiva deste livro, principalmente pelo fato de que a economia como ciência avançou muito com o estudo dos comportamentos. Nem mesmo como objeto de estudo histórico consigo recomendar este livro, isto sem levar em consideração quem era Pareto e para que ideologia a economia pregada por ele serve.

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