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    Humano, demasiado humano -

    Friedrich Nietzsche

    Lafonte
    2018
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-10: 8581862829
    Português Brasileiro
    4.2
    1985 avaliações
    Leram4278Lendo612Querem4591Relendo39Abandonos257Resenhas74
    Favoritos4Desejados4591Avaliaram1985

    "Além de dedicar esta obra ao iluminista Voltaire, Nietzsche define Humano, demasiado humano, como um livro melancólicocorajoso. Isso porque revela uma ruptura com o seu próprio passado e, ao mesmo tempo, manifesta aquilo que se tornaria a sua marca registrada: a paixão pelo futuro, a possibilidade da existência de seres pensantes capazes de enfrentar os revezes da vida por meio da razão. ""Humano, demasiado humano é um livro de história, sem ser história; é um livro de filosofia, sem ser referencialmente filosofia; é um livro de vida, vida espiritual, vida intelectual, vida racional, vida presente, vida humana."" Humano, demasiado humano ? é o primeiro livro de Nietzsche escrito sob a forma de aforismos e também representa a ruptura com o pensamento de dois pilares da sua formação: Richard Wagner e Schopenhauer. Para afastar-se do romantismo do primeiro e do pessimismo do segundo, o filósofo se inspira no iluminismo. E o objetivo de seus escritos é, realmente, trazer luz para os temas que caracterizariam sua obra ? o desprezo pela filosofia tradicional e as certezas religiosas do passado, bem como o papel da metafísica, da política, da justiça e da moral na vida em sociedade. O filósofo deseja que o leitor conheça o autêntico valor da vida. Para isso, ele o ensinará a pensar ""de forma diferente do que se espera dele"". Isso significa até negar sua origem, seu meio, sua posição e ofício, além dos pontos de vista dominantes de sua época. É assim que Nietzsche vislumbra a possibilidade de exercitar os princípios da liberdade que, segundo ele, são ""atos incompatíveis com a moral dependente""."

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    Juru Montalvao picture
    Juru Montalvao01/11/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Lendo Nietzsche pela primeira vez...

    Esse livro me encontrou e essas são algumas das reflexões que tive. Só opiniões, até pq saco nada de filosofia: São 638 aforismos do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche. No dicionário, aforismo é tipo um provérbio, um ditado, um texto curtinho. Já Nietzsche diz, em trechos da obra, que ali são suas "investigações". Parece que ele passou a escrever assim quando a saúde piorou. Era como podia registrar suas percepções em qualquer hora ou lugar. Foi essa impressão que tive: de estar lendo seu pensamento nú e cru. Eu gosto de livros que me dão essa sensação, mas não foi leitura fácil, foi bem desafiadora, principalmente em alguns textos sobre cristianismo, escravidão, mulher... Nietzsche escreve com profundidade, ironia, agressividade, às vezes poesia. Nessa primeira leitura, favoritei os aforismos 101, 107, 208, 292, 376, 447, 475, 483, 570 e 638. Em relação ao passado, seu pensamento me pareceu saudosista, pois ele elogia muito a Grécia antiga. Já o presente recebe críticas bem ácidas. Isso em 1878, época do livro, mas é de cair o c* da b*nda o quanto alguns textos continuam atuais e parecem escritos hoje. Sobre o futuro, seu olhar me pareceu de expectativa, meio esperançoso de que a humanidade enfim chegue a parir espíritos livres. Mas esse futuro não é o agora, é milhares de anos pra frente! Curiosidades: ❗Li que essa obra declara o rompimento com a influência do filósofo Schopenhauer e a amizade do músico Wagner, dois outros alemães que contribuíram na trilha da humanidade. É bem nítida a questão com Schopenhauer porque Nietzsche não perde oportunidade de descer o cacete nele nesse livro. Quanto a Wagner é mais discreto. Parece que eram "parças", best friends mesmo e o rompimento foi amargo. ❗Esse livro flopou quando foi publicado. No posfácio dessa edição que li, o tradutor explica que os Wagner, a maioria dos amigos e o público leitor teve reação negativa. À época, só 120 exemplares foram vendidos, de uma tiragem de mil. Talvez já prevendo isso foi que Nietzsche escreveu o epílogo " Entre Amigos". Um poema que achei muito bonito e que convida à conversa e à tolerância. ❗Li também por aí que, pouco antes de sua saúde deteriorar de vez, ao ver um cavalo sendo chicoteado, Nietzsche abraçou o animal pra impedir a violência. Não pude evitar conectar essa história (que não sei se é verdadeira) com o aforismo 101 (Não julgueis), um dos que favoritei: "(...) Saber que o outro sofre é algo que se aprende, e que nunca pode ser aprendido inteiramente." Sei lá... Talvez parte desse aprendizado só se alcance depois que se cruza - um pouco que seja - o campo que a humanidade chama de loucura.

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