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    O Passado De Uma Ilusão - Ensaios Sobre a Idéia Comunista no Século XX

    François Furet

    Siciliano
    1995
    608 páginas
    20h 16m
    ISBN-10: 8526707833
    Português Brasileiro
    5
    5 avaliações
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    "O fascismo e o comunismo muito deveram de seus êxitos aos acasos da conjuntura, ou seja, à sorte: Não é difícil imaginar roteiros em que Lênin é retido na Suíça em 1917 e Hitler não é chamado para a Chancelaria em 1933. Mas o prestígio de suas ideologias teria existido mesmo sem o sucesso deles (...): e é esse caráter inédito da política ideológica (...) que a torna misteriosa.". O destino do pensamento comunista a partir de 1917 foi ficar preso entre sua universalidade abstrata e sua encarnação na História. O curso da Revolução Bolchevique não deixou de ser infeliz ou trágico. Contudo, a promessa do Outubro russo atravessou o século de bandeira alta. De Lênin a Gorbatchov, a História não apagou a chama da utopia. Ao contrário, alimentou-a. Esta relação imaginária dos homens do século XX com o pensamento comunista forma o assunto deste livro. Ela se estende muito além dos regimes do tipo soviético e, aliás, sobreviveu mais tempo a oeste do que a leste da Europa. O segredo de seu esplendor deve-se ao fato de ela prolongar a tradição revolucionária do Ocidente: apenas vencedor, o bolchevismo se instalou na herança jacobina e retornou por conta própria o projeto de regenerar a humanidade pelos efeitos somados da ação e da ciência. Mas o mito soviético não teria durado todo o século sem o apoio que as circunstâncias ofereceram à sua mentira. Nascido da Primeira Guerra Mundial, dá uma de suas faces ao niilismo da época. Capitaliza as injustiças do Tratado de Versalhes. Enriquece-se com o espetáculo da Grande Depressão. Prospera no antifascismo. Alcança seu zênite no fim da Segunda Guerra Mundial. Mesmo a desestalinização estende sua influência no momento em que ela assinala, contudo, seu declínio. O comunismo desaparecerá antes de haver enfraquecido as esperanças de seus partidários. O Ocidente fará cortejo a seu féretro.

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    Felipe Correia Pimenta picture
    Felipe Correia Pimenta03/04/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Livro complexo, que exige um grande nível de cultura

    O comunismo foi ( e ainda é) um sistema, ou filosofia, que atraiu a adesão de milhões de pessoas no século passado. Vários intelectuais do ocidente, inclusive pessoas religiosas, se sentiram identificadas com a Revolução de Outubro de 1917. François Furet busca nesse livro uma reflexão sobre o passado do comunismo, de forma a demonstrar às semelhanças ou diferenças entre a revolução de Lenin e a Revolução Francesa de 1789. O espírito revolucionário e a crença de que seus atores estavam comandando à história é uma característica comum em ambas as Revoluções. Um grupo de conspiradores burgueses que diziam agir em nome do povo foi o motor dessas Revoluções. Tanto franceses quanto russos queriam acabar com a odiada burguesia, e implantar a igualdade e a fraternidade. A revolução americana que acontece pouco antes da francesa também busca a igualdade, que sempre foi uma paixão para os americanos, mas como demonstra Furet, nos Estados Unidos, a figura do burguês odiado por todos simplesmente não existe. Furet é também um especialista em Revolução Francesa. O livro apresenta os preparativos para a primeira guerra, que são o fruto da ideia de nacionalismo presente em todo o século XIX, e que demonstra, também, a falência das ideias socialistas que tinham muita força antes da guerra. O que define esse homem que vive no período do início do século XX é uma mistura de utopia socialista, nacionalismo, um certo pessimismo e o antissemitismo, pois o judeu é visto como a encarnação do burguês. A fúria nacionalista varreu a Europa na primeira grande guerra, e com isso fez surgir ou apressar duas ideologias que viriam a se odiarem: o fascismo e o comunismo. Esse último já vinha sendo construído pelos revolucionários russos desde 1905, e a guerra só fez foi apressar a queda do czar e abrir o caminho para Lenin; esse se diz o verdadeiro intérprete de Karl Marx, o único que o compreende de verdade, e que estabeleceu o domínio do homem sobre a história, pois essa é a verdadeira filosofia de Marx. O povo russo tem a missão de abrir o caminho para a inevitável vitória da revolução no Ocidente, a começar pela Alemanha; para isso, é preciso primeiro que Lenin assine um humilhante acordo de paz. Feito isso, é preciso começar a agir para que o comunismo se espalhe pela Rússia, em especial no campo, e esperar pelos acontecimentos na Alemanha. Mas a revolução não vem, já que a liga Espartaquista de Rosa Luxemburgo é logo desfeita, e ela é executada. A Alemanha é governada por reacionários. Lenin tem que agir, pois o avanço no campo é lento e doloroso, e potências europeias e o Japão invadem o território soviético. O comunismo de guerra é estabelecido . Esses dois fatores ( a invasão estrangeira e a ideologia leninista) levam a uma horrenda fome em 1921. O capitalismo é restabelecido pela NEP. Furet escreve um capítulo destinado à atração que a Revolução de Outubro provocou no Ocidente. O que Lenin e seus companheiros fizeram foi a própria história, que agora é feita pelas ideias e a vontade titânica do homem. A mentalidade revolucionária que pairava sobre o Ocidente desde 1789 encontrou sua realização no país mais improvável para que ela viesse a acontecer: a Rússia. Isso gerou pânico nos conservadores da Europa, ao mesmo tempo em que a esquerda enxergava nela a grande chance do acerto de contas contra a burguesia e a religião. Existe um pequeno estudo no livro sobre a reação que a Revolução Russa provocou em três intelectuais da época, dois franceses e um húngaro. São eles: Pierre Pascal, Boris Souvarine e Georg Lukács. Os dois franceses aderiram à revolução e foram morar na Rússia. De início experimentaram um grande entusiasmo por essa nova sociedade, mas com o tempo, perceberam que a União Soviética era uma grande prisão. A opressão do espírito e a miséria do dia a dia prevaleciam. Denunciaram, cada um ao seu modo, a realidade soviética. Não deixaram de ser totalmente comunistas, mas não viraram propagandistas cegos do regime. O caso mais grave é o de Georg Lukács. Esse burguês húngaro aderiu ao comunismo por um acaso. Foi para a União Soviética, foi vigiado e perseguido, mas o fanatismo falou mais alto. Até o fim da sua vida defendeu a superioridade do comunismo sobre todas as outras ideologias. A respeito de Lukács, Furet cita Saul Bellow, que definiu o fanatismo nessas palavras: “ tesouros de inteligência podem ser investidos a serviço da ignorância, quando é profunda a necessidade de ilusão.” Grande parte da argumentação do autor é dedicada ao surgimento do fascismo como sendo uma reação ao comunismo e as ideologias que os uniam, como o ódio à burguesia, o militarismo e a submissão do homem ao poder do líder e do Estado. Várias personalidades do Ocidente são mencionadas como sendo favoráveis a um ou outro sistema, e até mesmo os que fundiram o fascismo com o bolchevismo. O livro O Passado de uma Ilusão é complexo e exige uma vasta cultura para ser compreendido. São necessários conhecimentos sobre a Revolução Francesa, sobre o Fascismo e o comunismo, e sobre a história francesa da primeira metade do século XX, especialmente na área da cultura e filosofia. Publicado em http://resenhasdefilosofia.wordpress.com/

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    François Furet

    Historiador francês, um dos maiores pesquisadores da Revolução Francesa, ao mesmo tempo que um de seus críticos mais ferinos. Suas interpretações revitalizam os estudos revolucionários, exatamente por seus esforços desconstrutivistas, por afirmar que a Revolução não passou de um mito.

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    François Furet