O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. Nesse cenário, a Dra. Jean McClellan se vê em negação, diante de algo tão absurdo.
O livro é narrado em primeira pessoa e acompanhamos os pensamentos e o que acontece com Jean, a leitura é fluída, com poucos momentos de maior densidade, os capítulos são curtos e isso ajuda no dinamismo. No início, não há uma transição muito clara de quando se tem uma lembrança e algumas partes ficam confusas.
O plano de fundo da história do livro é muito pertinente e traz um tema importante a ser abordado, há momentos que dá muita raiva do que acontece e da forma como algumas situações são apresentadas, algo intencional da autora. A situação geral de todo o contexto da ambientação causa incomodo e indignação. Mas algo que pesou foi a falta de motivação para aplicar o sistema, pois não explica como houve um retrocesso absoluto da sociedade e vai contra a tendência de esclarecimento das pessoas.
Outro ponto que me incomodou está na sociedade em si, nos moldes em que foi apresentada, retirando mais da metade da força de trabalho do país, a sua economia iria colapsar e as explicações dadas não foram convincentes. Assim como mostra que todos os homens e até boa parte das mulheres foram coniventes em aceitar o que foi implantado ?do dia pra noite?. Senti que faltou desenvolver mais o próprio sistema e acaba focando mais em questões de relacionamentos e sentimentos de Jean, apesar dela se mostrar indiferente em relação ao seu filho em certo momento. Da metade em diante muda-se o foco e acaba tendo um bom dinamismo, mas com uma condução não tão bem desenvolvida e o final é muito corrido.
Um ponto interessante é conseguir traçar um paralelo entre os ideais de alguns governantes e a situação apresentada no livro, muito por conta de suas crenças. O fato de abordar a importância das mulheres em falar, se expressar e dar opinião é fundamental e necessário para que nunca mais retorne ao que era décadas atrás e jamais permitir que lhes retirem seus direitos.