"Sob a Espada de Morrigan" é uma fantasia que pode parecer com muitas outras. Afinal, temos um personagem que viva sua vida simplória e descobre a existência de um universo co-existente onde ele tem importância, uma enorme importância. Você com certeza já ouviu essa história em muitos outros lugares, mas o que torna essa obra tão especial – pelo menos pra mim – é o fato de ela abraçar as semelhanças (e jogar um monte de referências na nossa cara) e a proximidade. Mesmo se passando na Irlanda, temos a Avalon, uma mulher apaixonada por livros, vivendo sua vida como todo mundo. Tentando se boa. Como não se sentir no lugar dela? E vamos combinar, como não gostar de uma história com dragões?
Mas se apenas proximidade e dragões não te convencem… que tal empoderamento? Todas as principais personagens da obra são mulheres. Na verdade (sem pegar o livro para consultar) só me lembro do pai de Avalon que é apenas citado e de um mago vilão. No mais, as mulheres comandam tudo. E são todas personagem incríveis, fortes, com seus demônios a serem batalhados e bem definidas. Impossível não amar as mocinhas ou não odiar as vilãs.
Beatriz Castro sempre teve uma linguagem tranquila de acompanhar e gostosa de ler. Tive a chance de ver isso em Pietra e em Killian. Mas em Sob a Espada de Morrigan, a cadência e o enredo estão tão bons, que com apenas 200 páginas precisei me controlar pra não acabar com a aventura em poucas horas. Sim, eu sou dessas que gosta de prolongar a leitura.
Essa talvez seja a minha única reclamação. 200 páginas foi pouco. Eu queria mais. Mais do reino de Freutrys, mais dos outros reinos, mais Elfos, mais das outras criaturas, mais de Fal’heart, mais de todo esse universo e mais complexidade e drama. Deixar os problemas mais difíceis de resolver talvez. Ia aumentar as páginas, mas ia aumentar ainda mais a minha vontade de ler mais, porque eu quero outro livro sim.
"Sob a Espada de Morrigan" é uma fantasia nacional que pode parecer com muitas outras, mas é nacional, escrita por uma mulher e que de longe é uma das melhores histórias que li em 2019.