Atualmente, pouca gente conhece Nair de Teffé, embora ela tenha sido uma pioneira: a primeira mulher a fazer caricaturas profissionalmente no Brasil, em uma época em que essa atividade era considerada masculina. Além disso, Nair de Teffé também casou com Hermes da Fonseca, se tornando primeira-dama. Como tal, causou escândalo ao levar a música popular brasileira para a recepção presidencial. Sua ousadia foi tocar o maxixe Corta Jaca, de Chiquinha Gonzaga, no violão ao lado do músico Catulo da Paixão, em uma época em que maxixe, músicos populares e até o violão eram considerados vulgares. Rui Barbosa chegou até a escrever um discurso para condenar as atitudes dela. E, como se não bastasse, a caricaturista ainda foi a primeira mulher brasileira a usar calças compridas. Para alguém que nasceu em 1886 e cresceu em meio à elite conservadora carioca, nada disso é pouca coisa. Em uma época em que as mulheres eram criadas para ser boas esposas e mães, Nair de Teffé preferiu focar seus interesses na arte, chegando a dizer que "a única coisa que gosto da cozinha é a comida". Ela morreu em 1981, aos 95 anos, no mesmo dia em que nasceu: 10 de junho, abrindo aí os caminhos para as mulheres que vieram depois. A história dela é contada pela professora Maria de Fátima Hanaque Campos em "Nair de Teffé - artista do lápis e do riso" de um ponto de vista menos interessado na biografia em si da artista e mais em sua carreira, relacionando a evolução da produção artística de Teffé - que assinava com o pseudônimo Rian - com o contexto da sua vida. É um livro bem bacana pra quem gosta de artes gráficas ou estuda comunicação, já que tem bastante informação sobre caricaturas e o papel desse gênero na imprensa.
