Obrigada Cidinha, pela aula
No primeiro capítulo do livro Introdução à economia da educação, é abordado o tema: a educação sob o prisma da economia. O texto se inicia com uma análise, a qual diz que é de saber popular a proporção entre maior dedicação aos estudos [e] maior mais retornos econômico e social. (p. 1), e como isso está diretamente relacionado não apenas a Teoria do Capital Humano (TCH), como também a Economia, e ainda, mais precisamente, a Economia da Educação. Em meados do século XVIII, a Economia da Educação surge em sua chamada Escola Clássica, o economista e filósofo Adam Smith publicou um livro onde explicitava a já presente noção da importância de uma educação qualificada, contendo a finalidade de formar funcionários mais hábeis em seus ofícios. Portanto, Justamente aí, interviria a educação, que teria de ser promovida pelo Estado a fim de desenvolver aspectos impossíveis de serem adquiridos apenas no processo do trabalho. (p. 4), essa ideia é reforçada no trecho A educação teria de ser pública e ampliar a riqueza da existência, inclusive nas classes populares, para as tornar menos expostas a superstições, manipulações, propostas demagogas etc., todos os fatores que podiam alterar a paz social (p. 6). Ainda sobre investimentos em prol a produções laborais, o texto discute a alegação de que [...] o retorno do investimento na acumulação das habilidades tem seu equivalente no investimento realizado em uma máquina. (p. 5). Embora ambos tenham primordialmente o único objetivo de ter compensação financeira, o autor nos apresenta o argumento que diferentemente do investimento físico (a máquina), o investimento em capital humano contribui para a construção de uma paz e ordem social. Outros pensadores, sucessores de Adam Smith, mantiveram e desenvolveram sua linha de raciocinio, incluindo tematicas como o trabalho infantil e a chegada de imigrantes dentro do sistema economico. Assim como na Escola Clássica, a Escola Marxista tratava primordialmente questões filosóficas sobre a relação da economia com a educação. Assim, era defendida a ideia de que [...] a educação é assumida como uma forma de livrar a classe operária da alienação e potencializar a sua capacidade de negociação (p. 9). Essa educação, transmitida por meio de mídias populares, resultaria em uma conscientização da classe mais pobre, constantemente explorada no trabalho. E, consequentemente, o desenvolvimento de lutas sociais que refletiriam na sociedade. Entretanto, Em termos de crescimento a longo prazo, assumir a hipótese de um desenvolvimento tecnológico exógeno, [...] não parecia ser instigante teoricamente e tampouco dava a resposta à estreita correlação entre desenvolvimento dos países e educação de sua força de trabalho ou entre crescimento e recursos alocados à pesquisa e ao desenvolvimento. (p. 12). Sobre o corpo teórico da economia da educação A TCH faz uma leitura [...] que parte de uma relação crucial no modelo econômico padrão: a remuneração de cada fator de produção tem estreitos vínculos com sua contribuição ao produto, ou seja, com sua produtividade. (p. 13). O autor traz dois pontos de vista dessa leitura, o primeiro sob o olhar da firma, onde termos técnicos e teóricos (escolaridade, salários de mercado, preço do capital) são postos para uma análise de alternativas, onde a escolhida será aquela que favoreça seu lucro, ou seja, [...] cada contratação será paga em função de sua produtividade. (p. 14). O outro ponto de vista é sob o indivíduo, nele também é apresentado o fator da escolaridade, mas diferentemente do ponto de vista da firma, aqui o estudo tem um peso maior, pois não é apenas aproveitamentos técnicos propriamente ditos, mas sim, também, as capacidades social e cognitivas, que agregam-o em um sentido social. Portanto, a educação é um elemento primordial e essencial, tanto para o desenvolvimento pessoal, quanto para o desenvolvimento econômico. Embora Enxergar a educação como um bem econômico não é uma tarefa trivial [...] (p. 20), sua complexidade pode ser regulamentada através de instituições bem desenhadas (p. 19). Economicamente, a educação pode ser entendida como uma poupança, onde é depositado algum investimento na espera de colher frutos, em capital humano, no futuro. Esses frutos, especificando, [...] significa ampliar sua produtividade ou, desde outra perspectiva, aprimorar, no posto de trabalho, sua capacidade de gerar bens e serviços. (p. 22). Mais adiante, na seção seguinte, o artigo nos apresenta um gráfico onde os dados relacionam a idade do indivíduo com o seu rendimento de trabalho. Os resultados comprovam que a produtividade tende a crescer com o tempo, pois a experiência do trabalhador se aperfeiçoa, Na literatura, esse acervo de novas competências recebe o nome de on-the-job training, que, em tradução livre, poderíamos denominar de treinamento que o próprio processo de trabalho propicia. (p. 33). Mesmo tendo o parágrafo acima como um fato, há muitas variáveis em nossa sociedade que impossibilitam uma evolução educacional/econômica. Ao, observamos ao nosso redor, encontramos uma realidade muito distinta, onde a educação das crianças mais pobres, não só é precária (por baixo investimentos capitais), como também é constantemente posta em segundo plano (no caso de famílias que precisam por seus filhos para trabalharem, a fim de ajudarem na renda). As restrições financeiras de uma família influenciam a quantidade (e qualidade) do capital humano dos jovens de diversas formas. (p. 28). Dessa forma, o autor ressalta a importância imprescindível de intervenções de políticas públicas no auxílio a quebra desse ciclo vicioso. Políticas essas que possibilitem o acesso à educação de qualidade, não só das crianças como de seus pais, em cursos de qualificações profissionais. O artigo nos apresenta um gráfico onde os dados relacionam a idade do indivíduo com o seu rendimento de trabalho. Os resultados comprovam que a produtividade tende a crescer com o tempo, pois a experiência do trabalhador se aperfeiçoa, Na literatura, esse acervo de novas competências recebe o nome de on-the-job training, que, em tradução livre, poderíamos denominar de treinamento que o próprio processo de trabalho propicia. (p. 33). Todavia, pode-se observar uma diferença, quase cultural, entre o Brasil e, exemplificado no texto, o Japão. Pois, é comum no país oriental que um indivíduo tenha um extenso vínculo com apenas uma determinada empresa durante sua vida inteira, enquanto no Brasil isso não ocorre. Ocasionando, que é vantajoso para as empresas japonesas investirem na educação de seu funcionário, em recursos para especializações e melhorias. E isso é chamado de Capital Humano Específico. O CHE é a formação da qual o indivíduo acumula [...] um perfil de habilidades e domínios ligados a tarefas ou postos de trabalho específicos. (p. 34). Previamente, o CHG (Capital Humano Geral) é a considerada formação básica, que se adquire na escola, Esse conjunto de atributos individuais, com maior ou menor sofisticação e extensão, segundo o nível de escolaridade, tem ampla gama de aplicações e pode ser um pré-requisito para acumular competências no próprio emprego. (p. 33). Há uma complexidade de aspectos a serem analisados quando medimos o CHG de um indivíduo. Partindo do princípio de que não é apenas no ambiente escolar que a criança adquire essa formação, mas sim também no seu ambiente familiar e social, [...] estamos diante de uma série de variáveis que interagem entre elas. (p. 38), e com isso, temos inúmeras realidades em seu modo. Obviamente, para se ter um bom CHE é necessário o desenvolvimento de um bom CHG. Porque, A qualidade do posto de trabalho dependerá muito do CHG inicial. Assim, temos que um elevado CHG na ocasião de ingressar ao mercado de trabalho elevará as chances em ocupar postos de trabalho que robusteçam seu perfil profissional [...] (p. 39). Sendo assim, podemos deduzir que, de fato, a educação é o prisma da economia. Além de que, a economia, também, é quem move a educação, em termos de políticas públicas e legislativas, e por esse motivo conclui-se Na medida em que nos meios sociais desfavorecidos a possibilidades de transmitir CHG via o ambiente familiar ou social é limitado, uma política pública cujo público alvo seja as menores faixas etárias desses segmentos é altamente rentável economicamente, além de contribuir para igualar as oportunidades. (p. 41). O segundo capítulo do livro Introdução à economia da educação, de Carlos Alberto Ramos, traz questões relacionadas à subjetividade no que diz respeito ao cuidado das finanças, Como um indivíduo valora o tempo, pode estar influenciado pelo seu nível de renda. É evidente que podemos presumir (com muito realismo) que, quanto menor a renda do indivíduo, maior será o valor outorga ao presente (maior preço que cobra por abrir mão do consumo hoje). (p. 47). Um conceito muito importante e interessante que o autor traz é o de Valor Presente (VP). Pode-se considerar VP aquele valor inicial de um investimento que futuramente com certeza trará retornos. Podemos também analisar Valores Presentes em dois panoramas: Um país pode preservar patrimônios e riquezas naturais para futuras gerações. Gerações que podem se situar daqui a séculos. Ou seja, em termos de VP, algum bem dentro de 100 ou 200 anos tem alguma grandeza. Em termos individuais, esse VP, com certeza, será próximo a zero. (p. 47). Portanto, o Valor Presente Social é de responsabilidade do Estado, pois entra em questão o investimento estar ou não dentro da taxa de preferência intertemporal dos indivíduos. A menos que, [...] em certas situações, muito comuns em educação, o horizonte relevante para um indivíduo ultrapassa o horizonte de sua vida. (p. 47), como o exemplo que o livro traz, sobre pais que investem na educação de seus filhos buscando um benefício para além de suas vidas. Ainda discutindo sobre subjetividade, a chamada herança genética é posta em perspectiva. Isso pois existem diversos fatores que podem determinar o desempenho/salário de um indivíduo, fatores esses relacionados a personalidade e preferências de cada uma, [...] essas peculiaridades individuais podem ser de diversas ordens e vão desde o que comumente se denomina inteligência a aspectos como a iniciativa, a capacidade de liderança, a autonomia, a capacidade de trabalhar em grupo etc., todas características que serão remuneradas no mercado. (p. 51). Por certo, há casos em que a herança genética é usada literalmente a favor dos indivíduos, no caso de modelos ou astros, que conseguem ganhar a vida sem um elevado grau de estudo ou perspicácia. Entretanto, é essencial a discussão de como até nesses casos podemos observar questões socioeconômicas, visto que o ambiente em que tais astros e modelos cresceram e viveram apresentam vantagens em relação ao resto da população. Popularmente, podemos chegar à conclusão de que ganharam na loteria da vida. Assim como nascer em berço de ouro pode estabelecer uma vida bem sucedida, o contrário, nascer em uma situação de pobreza, também pode ser determinante. Pois, Na medida em que os elevados retornos econômicos e sociais na frequência à creche e pré-escola são estaticamente bem robustos, a relação de custos/benefícios em iniciativas [...] na primeira infância deve ser o cerne das reflexões sobre um perfil do indivíduo que pautará toda a sua vida adulta.(p. 57) [Grifos do autor] Na seção do capítulo em que se discute a educação sendo uma espécie de filtro ou sinal, é explicado como na prática, durante uma seleção de candidatos para uma determinada vaga de trabalho, o perfil e o nível de escolaridade/formação são ao mesmo tempo um fator eliminatório e um possível diferencial. O economista premiado, Kenneth Arrow, apresentou a ideia de que [...] a educação é vista como um processo que vai filtrando (peneirando) as pessoas de acordo com suas qualidades/capacidades.(p. 63). Porém, até mesmo esse filtro pode ser subjetivo visto que, assim como no exemplo que o livro traz, um empregador ainda preferirá contratar para um cargo de finanças um engenheiro a um economista propriamente qualificado, caso o tal engenheiro tenha em seu currículo uma formação no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Quanto em relação às habilidades específicas (CHE) que precisamente o engenheiro não terá para o cargo de finança, o empregador parte do pressuposto de que alguém que frequentou o ITA possua um excelente CHG como base e não terá problemas em desenvolver as especificidades do cargo. Esse fenômeno citado acima chama-se inflação de diplomas, Em termos da TCH, esse acréscimo de atestados carece de relevância se não for a manifestação ou a sinalização de um armazenamento de habilidades, proficiências etc. (p. 69), ou seja, dentro dos critérios da utilização de filtros determinado candidato conseguiria ser peneirado, porém em termos de produtividade não teria como haver garantias de seu desempenho. Outro fenômeno que vale muito a pena a reflexão e o conhecimento do tal é a educação invisível, essa se dá de formas fora do padrão de aprendizagem por meio de cursos ou dentro das salas de aula. Quando alguém decide estudar um idioma ou até mesmo conteúdos por conta própria e natural, fica impossível catalogar esses conhecimentos, por exemplo, em um currículo. Assim estamos diante de uma subestimação de CH, uma vez que essa educação oculta é de difícil contabilização. (p. 72). A quantidade de diplomas ou certificados e a qualidade das instituições de que eles vêm já foram discutidas nos parágrafos acima. A questão da qualidade educacional tornou-se tão relevante como indicador de competitividade, que não é raro atribuir a falta de competitividade da economia brasileira tanto à defasagem quantitativa quanto a qualitativa [...] (p. 76).] O Plano Nacional de Educação, desenvolve metas no âmbito quantitativo em relação a educação brasileira (metas de alfabetização; quantidade de matrículas por idade; diminuição de taxas de evasão escolar etc.). Já a medição de aspectos qualitativos é feita a partir da aplicação de provas como as realizadas pela OCDE; o Banco Mundial; organizações da sociedade civil e estados e municípios com suas avaliações próprias. Por fim, o último tópico do capítulo é discutido de que forma a produtividade é desenvolvida na vida de um indivíduo. A primeira hipótese é a de que a produtividade vem de uma ordem de causalidade, onde as características e a personalidade pessoal eleva o desempenho primeiramente na educação e mais a frente em um determinado ofício. O segundo argumento segue a linha de raciocínio o qual de uma boa base em uma educação relativa, porém bem desenvolvida ocasiona menores custos e tempo de treinamento do indivíduo, como o exemplo do engenheiro formado no ITA. A leitura deste capítulo nos permite perceber o amplo leque de variáveis que podem ser introduzidas em torno do raciocínio, aparentemente simples, que vincula educação com rendimentos via produtividade. (p. 81).
