Se você achava que já tinha visto tudo... o Volume 4 de MPD Psycho dá um jeito de virar a mesa novamente. A trama, que já era um emaranhado de múltiplas personalidades, experimentos humanos e psicopatas em série, agora avança para um novo nível de bizarrice — e sim, isso é um elogio. Neste volume, entramos em um arco que mistura culto religioso, lavagem cerebral e mídia manipuladora. A figura do "serial killer midiático" ganha destaque, e o leitor começa a perceber como o Projeto Lucy está menos preocupado em criar assassinos... e mais interessado em controlar narrativas. Há uma crítica poderosa (e nada sutil) ao espetáculo da violência, à espetacularização da dor e à manipulação da opinião pública. Enquanto isso, o protagonista — seja ele Amamiya, Nishizono ou algum outro nome perdido na psique quebrada — mergulha cada vez mais fundo em seu colapso. O leitor já não sabe se ele é herói, vilão ou cobaia. E, francamente, talvez ele também não saiba. Tajima continua entregando um espetáculo visual: os cenários urbanos ganham tons mais caóticos, as cenas de violência são gráficas sem serem gratuitas, e a composição dos quadros beira o experimental em alguns momentos, como se estivéssemos vendo a mente do personagem desmoronar... desenhada.


