O eleito -

    Thomas Mann

    Companhia das Letras
    2018
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788535931709
    Português Brasileiro

    Neste romance de 1951, Thomas Mann reconta a fabulosa epopeia medieval do Papa Gregório, homem que vive a dualidade de ser fruto de um pecado e querer servir a Deus com toda sua alma. Thomas Mann redescobriu a lenda do Papa Gregório, esse "Édipo cristão", produto de um incesto, que tinha a "força do arrependimento para perdoar todos os pecados", quando procurava um tema para o seu herói Adrian Leverkühn, protagonista de Doutor Fausto. Tempos depois, o escritor tomou consciência do fascínio da história em si e escreveu O eleito. Narrado por um monge irlandês, o romance acompanha a vida de Gregor, lançado ao mar num cesto, ainda bebê, por ser o fruto pecaminoso de um casal de irmãos nobres. Ele sobrevive milagrosamente e é criado numa ilha por pescadores e um monge. Já adulto, o destino fará com que ele reencontre a mãe, agora rainha, e repita o pecado do incesto, pois ambos ignoravam seus laços de sangue. Banido de novo, ele buscará o caminho da evolução moral e espiritual, para então encontrar a redenção divina.

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    Mario Alberto Cosa Miranda06/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Thomas Mann é um escritor, tal qual Dostoiévski ou Tolstói, muito mais reconhecido por suas grandes obras, no sentido de extensão da narrativa (A Montanha Mágica, Os Buddenbrook, Doutor Fausto), do que pelas suas narrativas mais curtas, dentre as quais a novela O Eleito faz parte. Obra escrita poucos anos antes do falecimento do autor, quando este já era um escritor internacionalmente renomado, já laureado com o Prêmio Nobel da Literatura. A narrativa centra-se na lenda do Papa Gregorius, que teria se originado de um relacionamento incestuoso de seus pais, irmãos gêmeos, que após o anúncio da gravidez separaram-se, tendo o seu pai falecido em peregrinação, e sua mãe ficado reclusa na residência de um Aristocrata do seu reino. O bebê é lançado ao mar e descoberto por pescadores originários de uma ilha no Canal da Mancha, que criam a criança sob a supervisão do Abade local. O jovem Gregorio, ao descobrir de maneira acidental a sua origem, decide tornar-se cavaleiro e peregrinar pelo mundo cristão em busca dos seus pais. Sua primeira - e única - parada é justamente no reino onde sua mãe é Rainha, tendo defendido o reino contra um invasor da Borgonha, desejo em casar-se com a Rainha. O jovem após aprisionar o Rei, recebe como reconhecimento do seu mérito a mão da Rainha, sua própria mão, em casamento. O descobrimento dos laços sanguíneos de Mãe e filho fazem com que esta decida legar o resto da sua vida aos cuidados dos pobres e doentes, enquanto Gregório ficaria 17 anos recluso em uma Pedra no meio de um Lago, até ser encontrado por dois homens vindos de Roma, que teriam recebido uma mensagem divina que este eremite, Gregório, seria o novo Papa. A narrativa lendária do Papa Gregório encontra ampla consonância com o mito Grego de Édipo Rei: Édipo, também filho de um Pai que havia realizado um relacionamento proibido, também relegado a morte, também retorna a morada e após vencer um inimigo - a Esfinge -, recebe a mão da Rainha como prêmio. Diferente da narrativa Grega, que termina com o suicídio da Rainha Jocasta e com Édipo cegando-se, Thomas Mann imbui de um sentimento religioso de "salvação" a sua obra, demonstrando que a Fé poderá suplantar os pecados individuais. Para os que se interessaram pela narrativa, há um segundo Mito, a de São Julião Hospitaleiro, transformado em Conto por Flaubert na coletânea "Três Contos".

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