Há quem diga que Michel Houellebecq é o típico membro da classe média alta francesa, que reivindicando um tradicionalismo purista e barato, usa da liberdade de expressão como pretexto para difundir crenças ultrapassadas e preconceituosas.
Taxar o autor desta maneira é errado pelo simples fato dele ser, para mim, um dos cidadãos mais niilistas que já vi; não há nada de purista em seus textos, - é como se estes, sempre mordazes, sempre como presságios, exalassem um cinismo típico de sua escrita.
Escrita essa que parece ser monotemática: seu principal assunto é o século XXI. O sexo, o corporativismo, as viagens, - tudo é uma grande analogia para as contradições deste novo milênio. A pós modernidade veio ao mundo para exacerbar a falência da sociedade ocidental: todos os seus protagonistas são grandes reclamões, que ficam ruminando a deteriorização do mundo moderno, seja dado a solidão, ou, como em muitos de seus livros, ao Islamismo.
Seus livros, então, não são racistas, xenofóbicos, pornográficos (talvez este último tópico eu admita que é); ele simplesmente dá a luz para uma classe individualista, uma bolha de arrogância e supremacia.
Por vezes eu temo que seus livros caiam no mesmo limbo de filmes como O Lobo de Wall Street, Taxi Driver, Tropa de Elite; temo que ele seja apadrinhado por essa classe fã de Brasil Paralelo, que não consegue pensar fora da caixa e entende as coisas do exato avesso que elas são.
Houellebecq é como aquele seu tio, bêbado, que falando absurdos na maior das naturalidades, você o repreende em público, e depois, sozinho, reflete sobre o que ouviu e chega a conclusão que ele nem está tão errado assim.
(e destaque para o sucinto diálogo sobre São Paulo; assustadoramente real! e eu não gostei do do final, mas condiz exatamente com a mensagem do livro, - o desalento o segue sempre, a independer do local)