A partir de fragmentos que parecem mesmo um quebra cabeça emocional, às vezes montado e às vezes não, com falha linearidade, "A primavera que caço é um mar" traz uma narrativa poética e densa, traçando um relato psicológico de seu personagem principal, que se expressa sem pudor, num tom de desabafo constante, expondo seus dilemas familiares, seus medos mais íntimos e sua luta contínua com problemas psicológicos. "Destrincho aos pedaços, porque pedaços sou. Pedaços de uma completitude que se cobra em mim, mas que com arestas necessárias tão distantes, não consigo me equilibrar num ponto não contuso. Então cutuco ferida por ferida, tiro a casca da ferida que se mostra ainda viva. Para que desta vez, sofrida a dor atentamente, ela possa se exercer em seu processo de cicatrização sem desvios nem voltas."


