Revolução no cotidiano e nos costumes - A questão feminina nos primeiros anos da Revolução Russa

    Alexandra Kollontai

    Centelha Cultural
    2018
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-13: 9788561474454
    Português Brasileiro

    Fazem parte deste livro três textos de A. Kollontai sobre a questão feminina, a questão da família, da relação afetiva e conjugal nos marcos do capitalismo e também nos primeiros anos da Revolução Russa. Na verdade, os dois textos principais do livro, Revolução na vida cotidiana e A revolução nos costumes, são conferências de Kollontai para mulheres ativistas da Revolução Russa e nelas a autora já analisa experiências daqueles primeiros anos – de sofrimentos inauditos nos marcos da guerra civil e privações – das medidas tomadas pelo jovem Estado Soviético em prol das mulheres e das crianças. Como agente do Estado soviético, Kollontai debate a importância, o significado e as perspectivas de medidas em favor da libertação da mulher, da separação da mulher da cozinha, de todo afazer doméstico e dos encargos de mãe. São textos vivos, da sua experiência prática, avaliada ponto a ponto pela autora. O último texto, A união livre, é de 1909, e nele Kollontai analisa amplamente a relação amorosa de casal, suas contradições e a luta pelo amor autêntico, "livre", sem qualquer outra determinação que não seja o próprio amor. Naturalmente, em cada um dos tópicos analisados: desde a família,a prostituição, a função materna, o amor conjugal etc. Kollontai invariavelmente vai em busca das determinações sociais de cada fenômeno e também examina a perspectiva de superação das travas que, no capitalismo, operam contra a relação humana comunista, consciente e contra a mulher.

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    Marcella Pimenta05/05/2023Resenhou um livro
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    Para o comunismo, a mulher só vale se ele puder explorá-la

    O livro é composto de 3 textos de Kollontai: "Revolução na vida cotidiana", "Revolução nos costumes" e "A união livre", o último escrito por volta de 1909. A comunista defende a visão de que a mulher emancipada, livre, só o é se não é dependente do marido nem do capital. O Estado comunista deve livrá-la dos afazeres domésticos, mas não para que possa fazer as próprias escolhas, e sim para que trabalhe para o Estado, para a coletividade. Quando ataca a prostituição ou defende o aborto, Kollontai o faz para preservar a força de trabalho da mulher. Dessa forma, conclui-se que, para o Estado comunista, a mulher não tem valor em si mesma, como ser humano, mas como operária, funcionária a serviço do Estado. "A república dos trabalhadores considera a mulher, antes de mais nada, como uma força de trabalho, como uma unidade de trabalho viva" (página 23). O "amor livre", tema do último texto, revela o que hoje se traduz mais claramente como relacionamentos superficiais e instáveis. Relações "livres" do respeito e do compromisso com o parceiro, em que vale mais o desejo egoísta e o interesse do Estado (sim, na visão comunista, o "dever social" está antes da família). A mulher, ou qualquer indivíduo, que considera ideal o relacionamento que Kollontai defende com certeza não entendeu a seriedade do assunto ou foi corrompido pela ideologia. "Leia as feministas e deixe de ser uma."

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