36º Livro do ano TAZ – Zona Autônoma Temporária, Hakim Bey
Continuando minha breve excursão por autores anarquistas, fui buscar um livro que sempre tive a curiosidade ler, muito mais próximo da nossa época do que os clássicos do pensamento libertário, tal como Bakunin e Proudhon, o livro é um verdadeiro caos de ideias que se entrelaçam: ativismo hacker, pirataria, ação direta, resistência, iconoclastia, niilismo e outros preceitos que permeiam a mente de muitos anarquistas, principalmente após os desastres totalitários do século XX e da supremacia do capitalismo e da sociedade de controle no século XXI. O autor faz muitas referência a diversos movimentos políticos de resistência, a obra de Nietzsche e outros pensadores anarquistas, inclusive Deleuze e Guattari, estilos que são bem parecidos com o autor, principalmente se compararmos com Mil Platôs. Ao longo do livro, que tem caráter de manifesto, Bey não está disposto a fazer uma explicação de conceitos, mas sim provocar o leitor, mostrar que o nomadismo deve superar o sedentarismo, que o bando deve ser um novo agenciamento e que a utopia não deve ser algo a ser idealizado, mas dilacerado na resistência cotidiana.
Leitura interessante, mas pode ser vista com bastante dificuldade, por pessoas que não estão habituadas com escritores que trabalham com noções tão complexas e desconstrucionistas.