A família Mordrake é a mais rica da cidade e Suzanne trabalha de bom grado para eles, mas uma coisa sempre a deixa com uma pulga atrás da orelha: Edward, o filho dos seus patrões. Ela nunca o viu, mas sabe que ele existe pois é responsável por deixar comida e roupas limpas atráves de um mecanismo que permita isso sem que os dois tenham o mínimo de contato possível.
O Doutor Eobard é o único, além dos pais, que tem a chave do quarto de Ed, é um psicólogo habilidoso e charmoso, já que Suzanne tem uma quedinha (do tamanho de uma cachoeira) por ele. No decorrer das cenas a narração vai mudando entre os personagens e podemos ter um pouco do que é debatido entre médico e paciente, seus medos, traumas e aflições.
Dá um dózinha do Edward porque ele é realmente excluído do mundo, mas não é algo que se possa mudar de um dia para o outro. Acontece que, assim que vai embora, de uma sessão frustrante o médico acaba deixando a porta destrancada e quando Suzanne percebe isso ela não perde a oportunidade de bisbilhotar, né?
É um conto curto, a escrita é boa, mas eu senti falta de um aprofundamento maior nas cenas com o Edward e até mesmo com a Suzanne, talvez se isso fosse feito eu teria conseguido me conectar ainda mais com o conto e daria uma nota cinco. Um diferencial aqui é o final. Ele acaba tirando você da certeza absoluta de tudo que aconteceu na história e te joga em um paralelo onde só você pode decidir o que achar melhor.
As opções estão abertas e são muito bem amarradas, dá pra perceber que não foram colocadas ali só pra tentar surpreender, elas realmente funcionam e isso é difícil de se achar, bem feito como foi aqui. Os diálogos são bons, eu gostaria de mais pra, como disse antes, me apegar mais nos personagens.
Atualmente leio outra obra do Alan que é maior e se passa no Brasil, dá pra perceber bastante como é mais madura, firme e se conduz melhor. É uma ótima leitura se você estiver com a cabeça cheia e quer ler algo bom e rápido, com certeza vai surprir suas expectativas.