Analisando a Crítica Marxista - De Prometeu a Proteus

    Davi Charles Gomes

    Mackenzie
    2017
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-10: 8582936966
    Português Brasileiro

    Ao buscar a análise da questão do autoengano por meio de um estudo da crítica à religião, de Marx, o Reverendo Davi Charles Gomes acrescenta uma dimensão sociológica nesta obra, visto que a crítica marxista, em especial a crítica à religião, fornece um laboratório para o exame, a partir de uma perspectiva bíblica, do próprio conceito no qual a crítica se baseia. O livro apresenta-se em três partes principais. A primeira discute e esclarece a noção de autoengano. A segunda consiste em reconhecer a crítica à religião, de Marx, reunindo, a partir de fontes primárias e secundárias, um quadro geral daquilo que constitui sua visão de religião e do cristianismo em particular, como o engano do eu, pelo eu e em prol do eu, e como um instrumento de alienação e de controle. A terceira descreve o autoengano mais profundo que envolve a crítica à religião de Marx. De maneira instigante, esta obra conduz o leitor para uma compreensão mais profunda do modo prático pelo qual o autoengano é parte integrante de qualquer sistema crítico de pensamento que não se inicia com a revelação da Escritura.

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    Helder da Silva Alves Souza14/04/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Entendendo o projeto de Marx

    O livro divide-se em três partes. Na primeira parte o rev. Davi Charles Gomes conceitua o autoengano nas perspectivas filosófica e bíblica e manifesta que nem sempre o autoengano é uma ação individual, mas, há colaboradores tanto espirituais quanto humanos. Na segunda parte ele descreve as bases que construíram o pensamento de Marx, mantendo a crítica à religião como uma constante e definindo-a como alienadora. Na terceira parte, o reverendo Davi define o projeto prometiano de Marx, sintetizando tudo que foi dito e mostra a instabilidade de sua base teórica, uma vez que toma emprestado aquilo que é o cerne do cristianismo. No capítulo 1, o reverendo Davi desenvolve o conceito de autoengano numa perspectiva filosófica, a partir de três abordagens. Uma delas, a que dá mais destaque, volta-se para seu caráter paradoxal, em que enganador e enganado afluem numa mesma pessoa. Segundo ele, esta foi motivo de tentativas insatisfatórias de alguns em solucionar o problema. Diante disso, ele lança suas propostas para a solução da questão, como: Considerar as noções de crença e de racionalização, entender o autoengano como um ato voluntário, e a possibilidade de o autoengano ser autoencoberto; Outra abordagem, percebe o autoengano como preservação de dignidade pessoal levando a usos positivos ou não; Uma última perspectiva, é o autoengano por vício que utiliza-se do autoengano com motivações egoístas. No capítulo 2, ele propõe uma análise da temática por meio de uma perspectiva bíblica à luz das considerações de Dan O. Via Jr. em ‘a narrativa paulina do autoengano’ (p. 27). Este argumenta que esta narrativa se dá no “relacionamento entre a confiança na carne, a lei e o conhecimento de Deus”. A primeira como uma autoexaltação em que Deus atua obscurecendo suas mentes; na segunda, o autoengano o faz acreditar que é justo; na última, o autoengano como cognitivo, onde o deus do século os cega. No capítulo 3, Davi Charles defende que o autoengano possui “um caráter coletivo” (p. 34), uma vez que “há colaboradores externos no processo e na condição do autoengano” (p. 34). Apesar de sua forma individualista, o autoengano, em sua trajetória, tem tanto colaboradores espirituais quanto humanos. O capítulo 4 dá início a segunda parte do livro, nele o autor delimita três passos para o entendimento do pensamento de Marx. Iniciou-se por Hegel que baniu a lei ‘superordenada’, conceituou o homem alienado, e propôs uma superação desta alienação por meio de um processo histórico-dialético; continuou por meio de Feuerbach que afirmou que o Espírito absoluto é produto da alienação humana e que a verdadeira natureza humana se manifestava na sociedade; por fim, Marx desenvolve seu pensamento e interpreta a história à luz da sociedade mantendo a crítica à religião sempre uma constante. No capítulo 5, Davi Charles traça contornos da visão de Marx sobre religião. Em síntese a via como formas de autoengano, como um complexo ilusório controlador, com funções espontâneas e manipulativas. Marx percebia a religião a par de qualquer essência e história, um todo de falsos ensinos. Atacava veementemente as funções da religião, não as dissociando de sua substância. O capítulo 6 dá início a parte três do livro, nele o autor expõe a linha mestra da crítica de Marx. Esta é definida como projeto prometiano no qual, a partir do conhecimento de Deus e sua oposição a ele, busca impor sua própria justiça e autonomia, racionalizar suas crenças conflitantes (p. 63); e num projeto evolutivo utiliza-se da filosofia, da política, e da economia como base para a sua crítica, mostrando, na realidade, uma visão limitada e autoenganosa de suas ideias. No capítulo 7, Davi Charles mostra que o peso da crítica Marxista está na sua origem, n a fonte de onde vem. A base da hermenêutica da suspeição nada mais é que os próprios princípios bíblicos voltados contra o próprio cristianismo. Logo, Marx condena a se mesmo ao se apropriar daquilo que não lhe pertence. Me parece que dentre as concepções de Marx, a crítica religiosa é a única a qual encontra-se uma linha sistemática. Davi Charles com muita propriedade desenvolve o projeto prometiano de Marx, em que a teoria do autoengano da religião e sua tendência alienadora são a sua base. Um livro de relevância tanto para os campos filosófico, como sociológico, quanto apologético. Uma ferramenta indispensável àqueles que buscam compreender o pensamento marxista. Um manual que nos faz refletir sobre as bases filosóficas e bíblicas e mostra como, na realidade, estamos sendo atacados com nossa própria arma, a bíblia.

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