O resumo desse farto material compõe as narrativas que se seguem, nas quais, evidentemente, foram preservadas as identidades dos encarnados e desencarnados envolvidos, bem como as identidades dos guias e guardiões, assim como as dos templos umbandistas. Para facilitar a compreensão e privilegiar a essência dos casos estudados, cada narrativa é a síntese de visitas, conferências e exibições de casos, sem que se aponte a cada instante qual o método utilizado. As narrativas possuem caráter atemporal e representam algumas das sombras da alma humana, em constante evolução, com ascensões e quedas diárias. Tratam de situações que ocorrem em qualquer ambiente, recordando o conselho crístico de orar e vigiar.
Umbanda. O Caminho das Pedras
Ademir Barbosa Junior
De te fabula narratur (é sobre você)
Através de 10 pequenas histórias, o mentor espiritual do autor traz importantíssimas lições, mas estas lições não são (apenas) para ele. São para qualquer um que venha a ler este maravilhoso livro. Inicialmente, fiquei um pouco decepcionado ao terminar as duas primeiras lições. Eu já tinha visto isto antes, pensei, sobre um terreiro que fecha as portas após desavenças entre os dirigentes e sobre não existir diferença entre realidade e vida virtual na internet (é tudo uma salada só). Não que as tenha achado desnecessárias, apenas senti falta de algo mais. No entanto, levei uma eternidade para terminar a terceira, sobre como deixamos a porta escancarada aos obsessores. Se estamos sob um processo de obsessão, somos os únicos culpados por isto. Orai e vigiai, já diziam. Não é para rezar 24h/dia, mas para prestarmos atenção a nós mesmos. Só uma bebidinha não é apenas ingerir álcool se acende um luminoso chamativo no astral para os espíritos trevosos indicando que você permite ser obsediado. E é sobre isto que se trata O Caminho das Pedras, sobre algo que você conhece, que você já passou e/ou certamente passará. Esta narrativa é sobre você! Certamente você conhece a história do devotado filho de fé que faz o inferno dentro do terreiro por não aceitar algo que não está sob o seu controle a ponto de, ao desencarnar, não conseguir reconhecer o próprio guia-chefe do terreiro e o irmão de fé que ele tanto perseguiu na carne. (Médium Recalcitrantre, a sexta e melhor lição, na minha opinião). Pai de santo com recalque de um filho (Autoritarismo, 7ª e preciosíssima lição)? Temos. Terreiros de baixa vibração e seus médiuns que praticam o animismo ao servirem a Mamon? Também. Fofocas dentro da corrente, injustiças no trabalho (foque no longo prazo!), resiliência, testes de fé, brigas entres terreiros que não seguem os mesmos fundamentos é um prato cheio sobre diversas provações que se colocam não só no caminho de umbandistas, mas de todos os que professam alguma religiosidade. Há também uma bela lição sobre tolerância, artigo raro hoje em dia. Principalmente entre umbandistas e candomblecistas.
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