Courting Miss Hattie, vencedor do RITA Award (1992), é sensacional e certamente entrou na minha lista de livros a serem relidos no futuro.
Em primeiro lugar, eu adoro a ambientação rural – estilo western-, descrevendo o estilo de vida das famílias do campo e suas lutas diárias para obter o sustento da terra e vencer as intempéries da natureza quando não se cogitava as tecnologias agrícolas atuais, tudo isso mesclado com as relações interpessoais de amor, de amizade, bom ânimo e até mesmo de crueldade e prejulgamentos, os quais me pareceram atuais como nunca.
Em segundo lugar, eu amei os personagens centrais - Reed Tyler e Hattie Colfax –, dois amigos de longa data que se apaixonam de um modo inesperado, de modo gradativo – no estilo slow burn, e somente muito tempo depois percebem que o amor existe desde o início.
Pois bem. Vamos à história. A fazendeira Miss Hattie é uma mulher de 29 anos, considerada solteirona e nada bonita, que se propunha a viver a sua vida como sempre, tirando da terra e da criação dos animais o seu sustento, convivendo de modo amistoso com os moradores de sua comunidade, frequentando a missa aos domingos, e conformada com sua solidão. Ocorre que algo muda a sua vida nada emocionante: ela recebe as atenções do mais novo viúvo da cidade, Ancil Drayton, pai de 7 crianças e com intenções casamenteiras. Logo os moradores do local, até mesmo o padre, não param em falar em outra coisa, todos ficam sem saber se a encalhada Miss Hattie aceitará o cortejo e, para a surpresa de todos, ela diz sim.
Porém ninguém ficou mais estupefato com a situação do que Reed Tyler, o meeiro da fazenda de Hattie e seu melhor amigo de sempre. O aludido rapaz, cinco anos mais jovem que a heroína, trabalha há quinze anos nos campos de algodão da fazenda Colfax e juntou cada centavo para comprar as terras de Miss Hattie e casar com a sua noiva. O namoro de Hattie, porém, desperta em Reed um ciúme e faz ele perceber que Hattie é uma mulher extremamente desejável.
A partir daí a relação entre Reed e Hattie é toda uma descoberta. Eu me vi rindo à toa lendo esse livro. Há situações verdadeiramente hilárias, a começar por um acasalamento nada convencional entre porcos – não que seja nada de mau gosto ou absurdo -, mas por ser inusitado me arrancou risos sem fim. Depois tem a aula dos beijos que, segundo Reed, são de três tipos (risos).
Reed e Hattie são dois queridos, honrados, doces, gentis, compatíveis ao extremo, trabalhadores incansáveis e cheios de sonhos, alguns deles reprimidos. Ela queria casar e ter filhos e ele expandir os negócios de arroz, e quando se veem envoltos em uma atração intensa, terão que fazer escolhas e/ou aceitar o que o destino lhes reservar.
É encantador como a autora trás à tona todas as ocultas facetas dos protagonistas. Adianto que Hattie é uma resiliente, uma mulher que enfrentou desde a infância as agressões verbais das pessoas, apelidos grosseiros – a chamavam de Horceface Hattie -, e os julgamentos humilhantes por sua condição de mulher solteira e desprovida de beleza (algo que discordo). Em determinados momentos achei que a heroína aceita os abusos verbais com muita facilidade e olha, eu me vi muito chateada por ela. Reed, por sua vez, me pareceu um herói à altura, lindo por dentro e por fora, e que soube valorizar todas as melhores qualidades da sua amada nos momentos certos. É lindíssima a forma como esses dois lutam para salvar a plantação de arroz e, como acontece durante todo o livro, Hattie é uma heroína além das palavras.
Enfim, é um livro incrível, motivacional, uma história de amor doce e com uma surpreendente carga de sensualidade, que fala de sonhos e suas realizações, dos sentimentos que vão além das aparências e das aspirações humanas.