“O idiota imprudente que a manteve à distância. O piadista descuidado que tentou se convencer de que não precisava dela. O bastardo sem coração que fodeu tudo com um pulso e não se importava com o que ele estava fazendo com a mulher que ele alegava amar. O imbecil implacável que partiu seu coração e a deixou ir. Mas acima de tudo – o homem vergonhoso.”
Chegamos ao último livro da série, Rhett é o último membro do ScrewCrew a nos contar sua estória. Ansiava por esse desfecho. O personagem mais misterioso, finalmente ganha voz. Rhett e Evie levarão o leitor a experimentar diversas sensações durante a leitura. A jornada dos dois foi dura, triste, pesada e solitária. Até o final feliz, muito caminho é percorrido. Mas mesmo em meio a tanta adversidade, a estória dos dois é brilhante.
Rhett sempre foi retratado como o bon vivant. Desde muito novo, ele não deixa ninguém se aproximar, somente sua irmã é a única pessoa com quem se importa. Após tantas coisas que aconteceram em sua vida desde criança, ele classifica que as pessoas não gostam das outras por simplesmente gostar, alguma compensação essas pessoas estão buscando. As pessoas gostam do dinheiro e do que você pode proporcionar a elas. Essa é sua visão do mundo. Até que ao armar uma brincadeira para os rapazes, ele conhece Evie. Ela, tão diferente das pessoas que ele costuma conhecer, ensinará para ele que nem todas as pessoas são boas por interesse. Às vezes, elas apenas gostam de você.
Evie vive no inferno. Criada em orfanatos e vivendo em lares adotivos, ao completar treze anos finalmente acha que conseguiu a família que ela sempre sonhou, mas logo percebe que os lobos às vezes se vestem de cordeiros. Quando faz dezoito anos, a única opção de continuar com um teto em sua cabeça é se prostituindo, o que ela não aceita, então foge e vai morar nas ruas. Essa parte do livro, onde narra o passado de Evie, as situações que ela viveu fará o leitor derramar algumas lágrimas. Quando ela finalmente consegue um emprego, seu novo trabalho é um tanto peculiar: ele fará limpeza usando apenas um fio dental e salto alto.
Rhett ao contratar o serviço de limpeza, não imaginava que sua vida mudaria. O que era para ser uma brincadeira, termina com ele resgatando uma menina apavorada, muito magra e aparentando ser muito mais nova do que alega. Sem saber explicar o motivo, todos os seus instintos protetores afloram e ele fará de sua missão proteger Evie e dar-lhe uma vida melhor. Com uma proposta de pagar por seus estudos, sua moradia e suas despesas em troca de que ela mantenha suas roupas fixadas ao corpo, nasce uma amizade entre os dois. Mas nem tudo são flores.
Evie aos poucos vai se apaixonando por seu salvador. E pouco a pouco vai se ressentindo, pois esse amor não é correspondido. Dia após dia ela observa as inúmeras mulheres que passam pela vida de Rhett, sabendo que ela nunca será uma delas. Rhett não sabe ao certo o que sente por ela. Sabe que a deseja, mas amor não é uma palavra que ele reconheça.
Uma despedida de partir o coração e seis anos de separação. E o livro parte para o presente, para mostrar como esses dois irão se entender. Amei a parte do passado. A construção da amizade e dos sentimentos dos dois foi escrita de forma belíssima. Os dois em uma versão jovem derreteram meu coração. No presente, Rhett ao descobrir algo importante, percebe que Evie nunca foi interesseira, que ele a julgou mal, que ela gostava dele por quem ele era, e decide ir atrás dela. Finalmente!
A parte atual do livro para mim apresenta problemas. Evie lutou tanto para terminar pior do que estava. Seu trabalho é um retrocesso a todo seu esforço para estudar. Seu novo namorado, perturbado diga-se de passagem, poderia criar uma tensão, mas foi neutralizado muito rapidamente. Uma pessoa muito importante que é introduzida em seu caminho foi uma boa jogada, mas todo o encontro foi rápido, sem maiores explicações. O livro ficou muito corrido em seu final.
Rhett rouba a cena. Seja lutando por Evie, finalmente se abrindo e deixando-a se aproximar, seja interagindo com Danny (o que foi a cena do Let it go?), pulando de bungee jump (engraçadíssima a cena por sinal) ou nas conversas com Miss Sebastian, Rhett foi um bom protagonista. Evie sofreu muito e finalmente conseguiu seu final feliz. Mais do que merecido. Um bom desfecho, uma belíssima estória. O ScrewCrew ficará em minha memória.
PS: A cena de Evie no Mc Donald’s devorando a comida acabou comigo.