Este livro oferece uma importante análise estrutural do capitalismo brasileiro e sobre o processo histórico que culminou no golpe contra a presidente Dilma Rousseff, levando em consideração a crise de acumulação do capitalismo global.
O próprio conceito de golpe é investigado através do marxismo e, portanto, compreendido dentro da totalidade das relações capitalistas: não são apenas rupturas do ordenamento jurídico e sim, alterações nas dinâmicas de acumulação de capital e da luta de classes que geram alterações institucionais e de poder, embora sem alterar a sociabilidade capitalista.
Somos também apresentados a ideias de que o golpe – síntese da crise do capitalismo brasileiro – é determinado economicamente através da forma mercadoria, e sobre determinada pela forma jurídica. O petismo e o trabalhismo, como formas administrativas de um Estado essencialmente burguês, foram insuficientes para gerir a crise estrutural e redução da acumulação dos capitais nacionais e internacionais, que se aproveitam da hegemonia ideológica e dominância dos aparatos e aparelhos de poder para gestar o golpe. Desta forma, é necessário compreender as correntes filosóficas do direito (juspositivismo, não positivismo e a teoria crítica do direito, esta última a única capaz de compreender o direito dentro da totalidade social burguesa e permitir a retomada da radicalidade da luta de classes) para rechaçar as duas primeiras, instrumentos do inimigo ao manter valores liberais, legalistas, democráticos e republicanos das instituições, que são essencialmente burguesas, visto que são frutos da sociabilidade burguesa e nos mantém presos à ideologia que garante a reprodução política da dominação de classe. O papel da mídia como parte do aparelho reprodutor e produtor da ideologia capaz de garantir a reprodutibilidade da sociabilidade capitalista também é abordada.
Esta crítica sobre como o capitalismo engendra o Estado, a política, a ideologia e o próprio direito é fundamental para alcançar uma compreensão política verdadeira e assim, ser capaz de transformar a sociedade: “A forja ideológica é precisamente a única ponta do amálgama da sociabilidade burguesa que permitiria abrir a disputa e ser trampolim de uma luta majorada. Se é contra o capital, não se pode amparar nos capitalistas; se é contra o Estado, que é forma social derivada do capital, não pode contar com sonhos de republicanismos, legalidades ou democracia. Somente as massas podem construir um projeto em seu favor.”