A nostalgia é um sentimento humano, que vez ou outra, nós podemos experimentar. Esse sentimento também pode nos remeter a um valor significativo diante de nossa transitória existência. Simbolismos de uma juventude que vai amadurecendo, a luz da sensibilidade de a amizade. O tempo que trás para nós as sensações que outrora não havíamos percebido no passado. Tsugumi segundo romance escrito pela autora japonesa Banana Yoshimoto e publicado em 1989, tem todos os referenciais de uma trama simples, sutil, sensível que estampa a nostalgia da juventude japonesa.
Narrado em primeira pessoa por Maria Shirakawa, uma jovem de 19 anos de idade, que sai da sua cidade natal na península de Izu para iniciar vida universitária em Tóquio. Recém-chegada em Tóquio, Maria não consegue esquecer os momentos felizes que viveu na cidade sua cidade natal. Em passagens nostálgicas Maria vai relembrando o ar litorâneo da pequena cidade. Na medida em que conta a história, Maria rememora a sua infância e parte da adolescência com as suas primas: Yoko Yamamoto e Tsugumi Yamamoto (a personagem título desse livro), passagens que vão desde suas caminhadas a beira mar até a vida cotidiana na pensão Yamamoto e os ataques de mal humor de Tsugumi.
As memórias de Maria Shirakawa são marcadas pela sua prima, Tsugumi, uma jovem belíssima de seus 17 anos que sofre de uma doença crônica que praticamente a fragiliza e a mantém em contínuo estado de risco de vida. A saúde debilitada de Tsugumi não consegue destituí-la de uma personalidade despótica, pouco sensível e até certo ponto, cruel. Tsugumi não é delicada, e suas virtudes estão mais escondidas numa personalidade irritadiça e sem paciência. Para as pessoas conviverem com ela – sejam parentes e amigos –, são requisitadas quantidades gigantescas de paciência e resignação. Maria e Yoko mantém um relacionamento de contrastes com Tsugumi. Uma mistura de brincadeiras, sensibilidade e pitadas “estranhamento” tortuoso entre amigas. Nas últimas férias de verão Maria volta sua cidade natal – a convite de Tsugumi – para uma espécie de despedida nostálgica. Entre as caminhadas na areia com o cão Poti, Maria viverá dias incríveis com suas primas, num tom de melancolia e congraçamento da juventude partilhada.
Banana Yoshimoto nós brinda com personagens femininas fortes, sutis e carregadas de sensibilidade. Uma narrativa simples, completamente banhada de nostalgia, com reflexões sobre a juventude e sensibilidade aguçada. Os escritores japoneses têm muito disso: não é necessária a explicação complexa, apenas a escrita simples e carregada de simbolismo, com a certeira dose de sutileza. O poder da imaginação, da interpretação caberá ao leitor. Esse tom nostálgico, a dualidade entre a “cidade grande” e a “cidade pequena”, as saudades de um passado cheio de um repertorio de emoções percorre toda a trama. Um retrato agridoce da juventude. Não é a toa que a Banana Yoshimoto é uma das minhas escritoras favoritas. Amo pouco? (risos)