Lanzarote: A janela de Saramago -

    João Francisco Vilhena

    Porto
    2014
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9789720046666
    Português

    Livro concebido pelo fotógrafo João Francisco Vilhena, com textos dos Cadernos de Lanzarote, de José Saramago, a partir do seu encontro com o escritor na ilha onde José Saramago fincará as raízes que darão lugar à segunda parte da sua vida literária, numa profunda ligação com a natureza, qual regresso às origens, narradas n'As Pequenas Memórias e face à aproximação da velhice e da morte. Um livro belíssimo sobre o sentido da vida e da escrita, uma homenagem a Saramago no momento em que se comemoram os quinze anos da atribuição do Prémio Nobel.

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    Berttoni Licarião14/10/2018Resenhou um livro
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    “Nunca me imaginei assim tão grande, obrigado”. Foi com essas palavras que José Saramago recebeu as primeiras imagens do que se tornaria este álbum de fotografias idealizado pelo fotógrafo lisboeta João Francisco Vilhena. As fotos, tiradas logo após o anúncio do prêmio Nobel em 8 de outubro de 1998, só vieram a público, no entanto, em 2014, quando o projeto virou livro. . Nestas imagens da ilha que Saramago escolheu por morada, o autor muitas vezes se confunde com a paisagem de vulcões, cinzas, mares e pedras. A pedra é, a propósito de sua obra, um “conceito” fundamental: Saramago deixou explícito em várias entrevistas e textos que percebe toda sua obra até o Evangelho como a tentativa de descrever uma estátua. Já a partir de Ensaio sobre a cegueira, é como se seus romances abandonassem a superfície da pedra e passassem para o seu interior. Esse princípio foi, muito delicadamente, transposto às imagens em preto e branco de Vilhena e fazem de Saramago um gigante de pedra entre gigantes de pedra, como o próprio autor reparou. . Amalgamando fotografias e trechos dos Cadernos de Lanzarote, este álbum é, nas palavras de Pilar, uma "meditação sobre espaço e ausência". Uma possibilidade de abraçar os olhares e as paisagens que fizeram parte do cotidiano de um escritor cuja obra inteira se assemelha a um longo ensaio sobre o tempo e o erro, sobre a crueldade e o amor, sobre o homem e sua desumanização. Não acrescenta nada de novo às suas palavras, é verdade, mas certamente nos deixa mais próximos deste saudoso José.

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