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    Sexo, morte e cultura - o paradoxo freudiano da moralidade

    Manuella Mucury

    Editora Phi
    2018
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788566045536
    Português Brasileiro
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    Em Freud as pulsões de morte e sexuais são o avesso de toda moralidade. No entanto, o paradoxo deflagrado pelo autor está no fato de que justamente essas forças opositoras constituem a nossa consciência moral. Assim, esta, em sua tarefa de impedir a livre descarga dos impulsos, no fundo luta ao mesmo tempo contra o seu próprio fundamento. Isso não é sem consequências para a cultura que, necessitando de tal renúncia empreendida por essa instância, aparece então como uma conquista frágil realizada sobre esse mal de que ela também depende apra existir. Freud transforma, assim, o fator destrutivo dos laços sociais, responsável pela violência razoavelmente injustificada entre os homens, na instância por meio da qual o indivíduo poderá refrear todos esses impulsos que ameaçam a emergência e a manutenção da cultura. Movimento teórico que revela, entre outras coisas, a inevitabilidade do mal que está ligado à ação da pulsão de morte sobre o indivíduo e a influência determinante desta no surgimento da moralidade humana. Assim, o que se busca neste livro é examinar como as pulsões sexuais constituem a experiência da moralidade, além de o modo pelo qual Freud concebe paradoxalmente o elemento dissolutivo da pulsão de morte, que contém em si o gérmen da destruição da humanidade, como sendo o mesmo fator que propicia o surgimento da consciência moral.

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    Thiago Mendanha picture
    Thiago Mendanha05/10/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A moral do desejo?

    Apresentação do livro por Daniel Omar Perez: Outra moral ou outra ética é possível? Se a moral até aqui formulada nega o desejo tanto na forma do recalque quanto na forma do gozo uma ética do desejo é algo que possamos vir a experienciar? Acaso é plausível para sujeitos de desejo vir a praticar algo como uma moral ou uma ética numa vida em comum? O trabalho de Manuella Mucury Teixeira nos convida a pensar as condições de possibilidade da moralidade como primeiro passo para refletir sobre o advento de outra moral. Por meio da análise dos textos freudianos este livro nos conduz num percurso que se inicia com a relação entre moral social e doença nervosa, perpassa a lógica das proibições, os acontecimentos da guerra e da morte, a constituição do eu e a relação com os outros. Manuella Mucury Teixeira demonstra que a moral social, longe de apaziguar as excitações que conduzem o sujeito à morte, nos leva ao triunfo de Tanatos. A culpa, o castigo e o arrependimento se organizam como a tríade que sustenta a tensão e o impulso destrutivo. Cito suas próprias palavras: “Em vistas do que foi apresentado, entendemos que o potencial autodestrutivo do homem cresce na medida de suas conquistas culturais, sejam estas de ordem ética, moral ou qualquer outra. O que se pensava ser uma forma de torná-lo feliz e seguro – isto é, o domínio da natureza e a regulação das relações entre os indivíduos – acabou instaurando de uma vez por todas o sentimento de mal-estar e de insegurança interna: o medo do supereu (e da consciência moral).” Talvez este trabalho de Manuella Mucury Teixeira nos ajude a pensar, entre outras coisas, a renovada ascensão do fascismo, mesmo depois de termos experimentado o horror da Shoa e a realização de sociedades democraticamente organizadas. Também nos sugere pensar os mais diversos modos em que o medo se manifesta na vida em comum. Tudo se apresenta de tal modo como se a civilização que pretendia evitar a barbárie, pelo próprio funcionamento de sua efetivação se conduzisse decididamente a ela. A obra de Manuella Mucury Teixeira é uma contribuição desde a psicanálise e a filosofia para a problematização da moral, da ética, da política e da possibilidade da vida em comum. Sua estrutura, seu esforço analítico e exegético, o trabalho dos conceitos, as reflexões solidamente argumentadas e as conclusões às quais nos conduz dão prova de um trabalho exaustivo cujo resultado o leitor poderá conferir nos seus detalhes.

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    Manuella Mucury Teixeira

    Manuella Mucury Doutoranda pela Université Paris VII (Sorbonne-França) / Universidade de Brasília (UnB), onde pesquisa sobre ética e moralidade em Freud e pós-freudianos, dentre eles J. Lacan, R Stoller e J. -P. Lebrun, assim como em outros filósofos franceses e alemães dos séculos XVIII a XX, como Rousseau, Sade e Kant. Mestre em Filosofia Ética e Política pela UnB e graduada em Psicologia pelo Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB). Coordena o Grupo Estudos sobre moral e ética na perspectiva psicanalítica e filosófica, na UnB; é membro do grupo de pesquisa Psicanálise e Política, da Universidade Estadual lde Campinas (Unicamp); e membro do Grupo de Pesquisas sobre a Filosofia Alemã e Francesa, no Departamento de Filosofia da UnB. Atua como psicanalista.

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    Manuella Mucury Teixeira