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    Claro enigma -

    Carlos Drummond de Andrade

    Record
    1991
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    11 avaliações
    Leram32Lendo1Querem9Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados9Avaliaram11

    Marco da poesia pura, Claro Enigma, publicado originalmente em 1951, volta agora ao público como um volume independente, depois de, por anos, fazer parte do volume Reunião (1969), da Editora José Olympio. Nele, Carlos Drummond de Andrade, o poeta mais influente da literatura brasileira contemporânea, traz desde os segredos do coração humano e do fazer poético até uma aguda consciência do mundo e da sociedade.

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    Jonas Reis Corrêa picture
    Jonas Reis Corrêa04/02/2018Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Claro Enigma

    Uma das formas de compreender o conjunto dos 41 poemas que formam a coletânea de Claro Enigma, de 1951, é comparar este livro com A Rosa do Povo, livro publicado em 1945. Se na lírica dos anos 40 predominava a postura de engajamento e compromisso social, agora o questionamento em torno desse posicionamento ganha espaço na poesia drummondiana. Assim, a poesia abandona o desejo de buscar respostas e passa a focalizar as perguntas que precisam ser feitas. Ao invés da comunhão anterior, vigora a certeza melancólica da dissolução iminente. A esperança é substituída pelo desencanto. As referências mais diretas ao mundo concreto, historicamente localizado, são preteridas em nome de um universo metafísico, que pesquisa o ser humano em si, independente de seu entorno. A relativa perda de certezas políticas representa um passo no sentido da formulação de um novo projeto literário, capaz de se colocar de forma perplexa diante das possibilidades que se apresentam. Além de tematizar exatamente a angústia das incertezas quanto ao rumo a ser seguido. Desse ponto de vista, ganham especial significado os versos de ?Cantiga de enganar?: ?O mundo não vale o mundo, / meu bem. / Eu plantei um pé-de-sono, / brotaram vinte roseiras. / Se me cortei nelas todas / e se todas se tingiram / de um vago sangue jorrado / ao capricho dos espinhos, / não foi culpa de ninguém?. É sintomático que esses versos retomem a imagem da rosa ? proeminente, já a partir do título, em A Rosa do Povo ? e mais ainda a maneira como o fazem: os espinhos da rosa agora ferem o poeta. As certezas e as esperanças anteriores são capazes de sangrar, isto é, podem levar à perda da vida. Em termos formais, nota-se o retorno a formas clássicas. Na verdade, não era uma tendência exclusiva de Drummond. A poesia de sua geração, que surgiu em 1930, já se caracterizava pela retomada de formas clássicas, como a do soneto, por exemplo, campo no qual seu contemporâneo Vinícius de Moraes ganhou merecido destaque. Além disso, a chamada ?geração de 45? foi formada por poetas de forte influência clássica. Sem manifestar os vícios formalistas, o fato é que o poeta mineiro se coloca muito distante tanto do coloquialismo um tanto ingênuo dos modernistas da primeira hora, quanto da tendência panfletária, de comunicação fácil, de alguns de seus poemas da década de 1940. O retorno ao arcaísmo formal inibe os versos livres e o resgate de uma terminologia mais filosofante e classicizante distancia sua expressão da marca coloquial. Se o leitor quiser levar em conta as coordenadas históricas, tão importantes em A Rosa do Povo, basta recordar que, no final dos anos 1940 ? período de composição dos poemas de Claro Enigma ? vivia-se a Guerra Fria e a ameaça da bomba atômica. O mundo mergulhava em uma disputa ideológica envolvendo capitalismo e comunismo que, para além das diferenças entre as duas ideologias, revelavam os meandros dos regimes de força que as sustentavam. Para um poeta como Drummond, que sempre lutou pela liberdade, a percepção dessa identidade entre regimes ideologicamente tão distintos conduzia à perplexidade e ao pessimismo.

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    Carlos Drummond de Andrade profile picture

    Carlos Drummond de Andrade

    Nasceu em Minas Gerais, em uma cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra, Itabira. Posteriormente, foi estudar em Belo Horizonte e Nova Friburgo com os Jesuítas no colégio Anchieta. Formado em farmácia, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou <i>A Revista</i>, para divulgar o modernismo no Brasil. Durante a maior parte da vida foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguido até seu falecimento, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.

    198 Livros
    2.101 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Carlos Drummond de Andrade