Já no início do livro, a autora avisa "Isto não é ficção". Esse livro são relatos de abusos que a autora sofreu entre 2014 e 2015 pelo seu namorado nomeado de J. no livro. A autora nos mostra a manipulação que o agressor tem de fazer com que a vítima pense que sempre ela é a culpada, que o agressor finge que tudo aquilo é para o bem dela. Em alguns momentos, a narradora/personagem fica se questionando sobre seus sentimentos e mesmo depois de ter sido agredida, continua sob o mesmo teto que o agressor, dizendo que ainda o ama e que quando ele não está lá, ela sente a falta dele.
Algumas vezes no livro a autora fala para respirar fundo, e é exatamente disso que o leitor precisa, respirar fundo para conseguir acompanhar relatos de uma vítima de abusos, saber os detalhes, os pensamentos e sentimentos da pessoa, realmente tem que respirar bem fundo para conseguir ler esse livro.
Por mais que seja um livro curto, a leitura foi difícil, porque não tem como ler um livro assim sem pensar que hoje, nesse exato momento, tem mulheres sendo agredidas pelos seus parceiros, mulheres que não conseguem pedidor ajuda por medo. A autora conseguiu se livrar do seu agressor, foi difícil, mas conseguiu. Mas infelizmente existem muitas vítimas que não conseguem. As vezes as pessoas se perguntam o por que dessas mulheres não pedirem ajuda? o livro abre o nosso olho e mostra que não é algo tão simples assim.
"Então eu decidi que a felicidade existe sim, sob infinitas formas, é que o nome não compreende a grandeza do sentimento."