"Triquetra" by Kirstyn McDermott is a dark fantasy novelette about the fraught relationship between Snow White and her stepmother after Snow White has married the prince and has her own child. She visits her stepmother monthly promising to kill her in ever more horrible ways, at the same time attempting to stay away from the mirror that started it all. At the Publisher's request, this title is being sold without Digital Rights Management Software (DRM) applied.
Triquetra - A Tor.com Original
Kirstyn McDermott
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Ver maisReimaginar uma obra tão antiga quanto contos de fadas é sempre uma tarefa difícil. É preciso dar a sua própria versão da história, criar uma nova identidade e mostrar que aquilo é algo seu. Dar uma identidade. Kirstyn McDermott certamente me surpreendeu positivamente com essa recriação da história de Branca de Neve, mas seguindo os fatos após o término do conto original. A autora inseriu o universo literário em uma dark fantasy, e digo bem sombria mesmo porque não temos pessoas lá muito normais nessa história. Tirando talvez a filha de Branca, todos os demais sofrem com alguma condição oriunda de feitiçaria ou simplesmente de obsessão. Branca de Neve se casou com o príncipe Klaus e teve uma linda menina de cabelos loiros e olhos verdes. A bruxa má, sua madrasta, se encontra presa em seu quarto, repensando suas maldades e o quanto ela quase destruiu toda a sua família. Mas, essa normalidade parece estar chegando ao fim. Klaus não procura mais os encantos de Branca e esta começa a se preocupar com os olhares que o príncipe dá à sua filha que cresce cada vez mais encantadora. De vez em quando uma de suas amigas, Lady Heron, vem buscar os conselhos do espelho mágico. Branca percebe a angústia no coração de Heron toda vez que ela sai do quarto do espelho, que sempre permanece fechado. Em um misto de desespero e angústia, Branca pede os conselhos de sua madrasta sobre usar o espelho. Ela alerta sua filha adotiva de que o espelho é um ser maligno que espalha seus tentáculos pelo lado sombrio de nossos corações. Uma vez que o utilizamos, ele coloca uma semente sombria em nosso íntimo. Algo do qual nunca mais nos livramos. Mesmo com os avisos de sua madrasta, Branca decide fazer o impensável... e é aí que o perigo começa. A autora conseguiu criar personagens completamente bizarros. Branca é uma ciumenta obsessiva, com um fetiche por números. Sua obsessão por números formando padrões a tornam uma pessoa difícil de ser compreendida. A bruxa má, uma reles idosa com problemas no pé, é alguém buscando redenção, mas vemos o quanto o abuso da magia destruiu com o seu semblante. Ela não é nem de longe a malévola das histórias. Já Heron é quase como se fosse um pequeno animalzinho assustado cuja fixação em solucionar os seus problemas se torna maior do que o seu bom senso. A obsessão é o tema central dessa narrativa. E temos duas personagens completamente obcecadas com suas vidas amorosas: Branca e Heron. Branca chega a um ponto em que desconfia de tudo e de todos. Até mesmo de sua própria filha. O espelho é sim uma influência maligna (e o grande antagonista do conto), mas a culpa maior está em Branca que se deixa levar por suas inseguranças. Em nenhum momento passou pela mente dela simplesmente conversar com Klaus para saber o que estava acontecendo. Ela apenas deixou que as impressões e as incompreensões a levassem por um rumo estranho. O mesmo acontece com Lady Heron. A gente compreende mais tarde na narrativa (e eu não vou contar) o motivo de sua obsessão. Mas, Heron se deixa levar até as últimas consequências. Tanto uma com a outra personagem querem resolver seus problemas e sanar suas dúvidas da maneira mais simples possível. E isso de forma alguma acontece, porque nada na vida vem com simplicidade. Precisamos ser honestas com nossos corações e buscar solucionar da melhor forma possível nossas angústias. Triquetra é sombrio, é obscuro, é cativante. A autora conseguiu criar uma atmosfera deturpada dentro daquele castelo. Tudo parece pequeno e apertado. Somente quando todas as personagens se libertam de suas angústias é que parece que as coisas se ampliam. É como se estivéssemos dentro de uma caixa lutando para sair. Quando ela se abre, um novo horizonte se aproxima de nós. Este é um daqueles contos voltados para os fãs de bons contos de fadas. Mas, com uma pitadinha sombria no meio.
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