Em A Natureza e a Lógica do Capitalismo, Robert L Heilbroner apresenta uma extensa investigação que vai desde a organização da sociedade primitiva e as origens da riqueza até os níveis inconscientes da psique humana e as raízes da submissão e da dominação. Ao final dessa viagem, o leitor terá se defrontado não só com as ideias de Adam Smith e de Karl Marx, mas também com Freud e os modernos antropólogos, que procuram responder da melhor maneira à pergunta: que é o capitalismo?
A Natureza e a Lógica do Capitalismo (Série Fundamentos #43) -
Robert Heilbroner
Uma ótima reflexão sobre o capitalismo
Este pequeno (porém denso) livro do economista Prof. Robert Heilbroner se propõe a fazer um estudo a respeito da natureza e lógica do sistema capitalista. Por natureza, entenda-se o conjunto de elementos por trás do comportamento de seus agentes. Enquanto que na lógica do capitalismo podemos compreender como a força das instituições que justamente lhe dão sua natureza -- é o processo de vida dentro desse sistema. Ilustrando a título de exemplo: a natureza de uma monarquia é a "santidade" do monarca, enquanto que a lógica por trás do sistema é o funcionamentos das instituições que dão ao rei esta aura; ou seja, num império a lógica do sistema será a biografia do imperador sustentada pelas instituições sociais. E o capitalismo? Trata-se do sistema onde se extrai riqueza da natureza não apenas para nossas necessidades materiais, culturais ou até comerciais (como em outras formas de organização social). No capitalismo se extrai a riqueza SOB A FORMA DE CAPITAL. E outra noção importante: usa-se o excedente (lucro; diferença entre valor pago e custo) não para gerar riqueza somente, que poderia ser ostentada ou usada, mas para ACUMULAR MAIS RIQUEZA. Só no sistema capitalista você terá capital/dinheiro > capital/mercadoria > capital/mais dinheiro. É um ciclo onde a palavra a ser posta em evidência é ACUMULAÇÃO. O capital não é uma coisa. Ele usa as coisas para ficar maior. E o capital é um PROCESSO SOCIAL. Não há dinheiro que cresça sozinho. É o trabalho de alguém que faz o dinheiro de outro crescer. A natureza do sistema capitalista (o que motiva o comportamento das pessoas, ou o "espírito" desse sistema) será a acumulação de riqueza transformada em capital. E esta natureza será EXPANSIVA. O capital é uma coisa que quer crescer e andar sozinha... Como num filme de ficção onde o monstro consegue se alimentar de várias formas e crescer indefinidamente. A lógica por trás disse será a transferência das riquezas produzidas por uma base de trabalhadores para o topo da pirâmide (para os donos dos meios de produção). Isso tudo, claro, numa concepção marxista. Até aqui pode ficar a pergunta de "mas como essa base explorada concorda com isso"? Ao que a resposta (marxista!) de Hailbroner é clara: "A força disciplinadora da competição, que orienta muitos dos aspectos da lógica do sistema, está também, pois, arraigada em sua natureza; e neste caso, o aspecto pertinente de sua natureza é a substituição das antigas formas de riqueza como valores de uso, pela forma generalizada de riqueza como capital." (pág. 47) As "partículas" dentro do sistema se tornam engrenagens dele (tanto o trabalhador como o capitalista). Todos dançam a dança "dos mercados". Ué, mas vale a pena para o capitalista isso já que ele é "freado" pela competição? Claro que vale. Já viu onde ele está na pirâmide social? O autor ainda explana sobre o papel do Estado no sistema e sua ligação simbiótica com a expansão do capital -- onde a redução de um será a inanição de outro. Daí que para o Estado capitalista será sempre importante defender o sistema. E é papel do Estado fazer o que é dispendioso demais para o capital, pois reduziria seu retorno. Ou seja: tire o capital e o Estado dará um jeito de sobreviver; mas tire o Estado e o capital morrerá no dia seguinte. Há ainda um capítulo sobre a ideologia do capital (onde o professor explana o aspecto científico e secular do capitalismo e suas consequências ambientais e sociais). "Desmoralizou-se" o capitalismo no sentido dele não ser obrigado a justificar suas escolhas se não ferirem a lei. A Ford decide sair de uma cidade e fabricar seus carros em outro lugar (deixando um rastro de desemprego)... Ilegal? Não. Portanto não pode ser condenado e nem atacado moralmente. Assim é o sistema. Irei parar por aqui se não acabo escrevendo outro livro e não uma resenha. A obra do Prof. Heilbroner é um estudo predominantemente marxista sobre o capitalismo que nos oferece uma maneira diferente de observar esses dois aspectos do sistema: natureza e lógica. Acaba por ser uma "aula" muito interessante e um estímulo para prosseguir no estudo do assunto.
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