História das invenções - Dom Quixote das crianças (Sítio do Pica-Pau Amarelo #9) -

    Monteiro Lobato

    Círculo do Livro
    1988
    309 páginas
    10h 18m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Um dia Dona Benta resolve contar uma longa história para as crianças. Pedrinho e Narizinho ficam interessadíssimos, pois o assunto é muito atraente: a avó vai falar sobre a história das invenções. E todos ficam superligados. Afinal, saber como surgiram os aviões, o telefone, as batedeiras de bolo é coisa fascinante demais para se perder. E, naquela noite, o serão de Dona Benta começa pela invenção da própria Terra e do bicho homem...

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    R .31/08/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Dom Quixote das Crianças - 1936 (Edição da Brasiliense publicada em 2005)

    O livro é muito legal desde o início, em uma bela apresentação do Quixote para as crianças. Dona Benta conta a história em resumo, apresentando o Cavaleiro da Triste Figura em suas mirabolantes aventuras. Foram citadas passagens como a recuperação do famoso elmo de Mambrino (a bacia do barbeiro), a poderosa intervenção do herói contra dois exércitos que se enfrentavam no campo de batalha (rebanhos de ovelha), o governo de Sancho Pança (inusitadamente carismático e aclamado por sábias decisões) e o duelo com o Cavaleiro da Lua (artimanha dos parentes e amigos do Quixote para provocar o regresso ao lar). Textos que tem drama e humor peculiar entre razão e emoção. Minha atenção maior foi para a percepção da turminha. Pedrinho e Narizinho acompanham a história com dó do herói, enquanto Emília vê algo inspirador que a mobiliza na valorização de seus sonhos, ainda que malucos. E ela fica meio doida mesmo, mais que o normal, tendo que ser contida até recuperar o juízo (quando teve um choque de realidade expresso em um pequeno acidente, onde viu sua fragilidade ante os arroubos emotivos). No final das contas, teve uma aprendizagem legal: a inspiração para viver sonhos, mas de maneira prudente. A valorização dos sonhos fez com que fosse a única a não querer saber do final da história, a morte do Quixote, pois dizia ser imortal. Isso é o que marcou o livro em minha leitura e que guardo em lembrança. Outras coisas com alguma curiosidade para o universo que tento entender do Sítio, é que o Visconde tem mais uma morte, logo no início, ao ser esmagado pelo livro, que caiu da estante em cima dele. Justamente o Quixote, a quem a Emília queria conhecer e acidentalmente deixou cair no sabugo. Seria uma mensagem do Lobato? No mínimo, ainda que não planejada, é como se fosse a emoção suplantando a razão. Uma quixotada... Ah, vou atrás desse Monteiro Lobato em quadrinhos. Sei que tem e acredito que continuará me trazendo mais curtição na leitura.

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