Only God Can Make a Tree - A Caribbean Novel

    Bertram Roach

    Athena
    2008
    134 páginas
    4h 28m
    ISBN-13: 9781847482501

    Adrian is the son of a black Caribbean woman and an Irish immigrant father, and is blessed with the pale skin and European features to allow him social mobility in the rigidly hierarchical society of twentieth-century Caribbean life. He falls in love, but is offered the opportunity to improve his social standing, and thus the rest of his life, if he can suppress his heart's desire and decide with his head. Will he choose Julia, the only woman he has ever really loved, and settle for being an overseer, or will he opt for the plantation- owner's daughter, Alice Mills, who could provide him with the social standing he has always dreamed of? The consequences of his eventual decision are weighty and far-reaching, affecting not only Adrian, but all those around him, showing the harsh realities of life in this earthly paradise. Set on the idyllic islands of St Kitts and Nevis, this gripping saga is the true story of a family of mixed race and mixed fortunes.

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    Dulcinea Silva10/10/2025Resenhou um livro

    Sombras do paraíso: dinheiro, amor e o peso do passado em São Cristóvão e Neves

    Mundafora em 198 livros #23: São Cristóvão e Névis Em Only God Can Make a Tree, de Bertram Roach, acompanhamos a trajetória de Adrian, um homem dividido entre o amor e a ambição, entre a vida simples de sua ilha e a promessa de ascensão financeira. A história começa com força, uma juventude vibrante e sonhadora, um trio de personagens: Adrian e seu dilema entre o amor de Julia, a jovem professora e negra, e as conexões de Alice, a filha branca do patrão que é apaixonada por ele. Há algo de profundamente simbólico no que Roach faz: ele transforma a história de Adrian num espelho da própria São Cristóvão e Neves — sorteado da semana no desafio Mundafora —, un país pequeno,dividido entre o peso de seu passado colonial e o desejo de construir um futuro independente. São Cristóvão e Neves, ou Saint Kitts and Nevis, como é conhecida em inglês, é o menor país do continente americano, um conjunto de duas ilhas caribenhas que, vistas no mapa, parecem dois grãos de terra cercados por um azul imenso. Foi ali que começou a colonização britânica no Caribe: em 1623, os ingleses se instalaram em São Cristóvão, expulsando e dizimando os povos indígenas caribes e trazendo milhares de africanos escravizados para o cultivo da cana-de-açúcar. A economia da ilha, como em tantos outros territórios caribenhos, ergueu-se sobre a violência da plantação, sobre o açúcar e o sangue. Mesmo depois da abolição da escravidão, as estruturas coloniais se mantiveram por meio da desigualdade e da dependência econômica — que fica bem claro no livro. O país só alcançou sua independência em 1983, o que significa que as marcas do domínio britânico ainda são recentes, não apenas na política, mas na língua, na religião, nos costumes e, principalmente, na literatura. Nesse contexto, o livro de Bertram Roach ganha uma dimensão simbólica: a luta de Adrian não é apenas pessoal, é também histórica. Adrian vive a tensão entre dois mundos: o da pureza e das raízes (representado pelo amor de Julia, pela terra e pelas relações humanas) e o da ambição e do dinheiro (pelo amor não correspondido por ele através de Alice que promete liberdade, mas cobra caro em solidão e perda). A árvore do título, evocando o verso “Only God can make a tree”, do poeta americano Joyce Kilmer, é mais do que um símbolo religioso: ela é a metáfora da criação e do destino, algo que o homem tenta dominar, mas que pertence a forças maiores. Roach escreve em uma linguagem marcada pela musicalidade caribenha, com diálogos vivos e um senso de oralidade que dá ritmo às cenas. Na primeira parte do livro, esse estilo se sobressai: há calor, cor, humor, e o leitor sente que está dentro da comunidade, compartilhando os gestos e os silêncios de um povo acostumado a resistir. O trio inicial, Adrian, Julia e Alice, concentra a força emocional da narrativa, trazendo um retrato autêntico do cotidiano de uma ilha onde todos se conhecem e onde as escolhas individuais repercutem no coletivo. É um início promissor, que fala sobre juventude, lealdade e desejo, sobre o ponto em que a vida ainda é uma promessa. Mas, à medida que a trama avança, o ritmo se perde um pouco. O conflito de Adrian, entre o amor e o dinheiro, acelera de forma abrupta, e o que poderia ser uma jornada de autoconhecimento se transforma numa sequência rápida de eventos. O leitor, que havia se conectado ao início luminoso da história, sente uma distância crescente dos personagens que vão entrando e saindo da trama. Ainda assim, essa aceleração pode ser lida também como um reflexo da própria modernidade que o livro critica: o tempo apressado das novas economias, o abandono das raízes em nome do progresso. No país, a literatura ainda é um território em formação, com poucos nomes reconhecidos internacionalmente, e Bertram Roach é uma das vozes que tenta traduzir, por meio da ficção, o dilema de pertencer a um lugar que sempre foi narrado pelos outros. Em Only God Can Make a Tree, há uma tentativa clara de devolver voz à ilha. O ambiente natural, o ritmo das conversas, as relações comunitárias e a presença constante da religião formam o pano de fundo de uma sociedade que vive entre a fé e a necessidade. A própria estrutura da narrativa com variações de tom e foco, parece dialogar com a história das ilhas: a inocência colonial, a ruptura com a ordem antiga, e a busca incerta por um novo caminho. Ao mesmo tempo, há algo de universal na trajetória de Adrian. Seu dilema entre amor e dinheiro ecoa o dilema de muitos povos colonizados que, ao alcançar a independência, precisam escolher entre seguir seus próprios valores ou se render às forças econômicas globais. O amor, nesse sentido, representa o vínculo com a terra, a comunidade, a memória; o dinheiro, o desejo de ascensão e a sedução do poder. A tragédia de Adrian é a tragédia das pequenas nações, a perda de si mesmas na tentativa de serem vistas pelo mundo. A árvore, símbolo central, retorna como uma imagem de enraizamento e transcendência. Em uma das passagens mais belas do livro, Clifford, filho de Adrian, reflete que o homem pode plantar, regar, podar, mas não pode criar a vida que pulsa em cada folha. Só Deus pode fazer uma árvore. É uma frase que carrega o peso da humildade diante da criação, mas também a impotência de quem percebe os limites de sua própria ação. A metáfora se amplia: talvez São Cristóvão e Neves esteja tentando fazer crescer sua própria árvore, sua identidade, em um solo ainda marcado pelas raízes coloniais. Há, no estilo de Roach, um desejo de capturar a fala cotidiana, o ritmo da ilha e sua espiritualidade. Isso o aproxima de outros autores caribenhos que buscaram romper com o inglês formal e dar à literatura a voz do povo. No entanto, a segunda metade do livro parece perder parte dessa organicidade. O narrador se distancia, as descrições se tornam mais econômicas, e os personagens deixam de se aprofundar. A força emocional inicial, que prometia uma história de amor e perda com densidade poética, se dilui com o desenvolvimento diferente do imaginado, com o filho de Clifford. As personagens femininas perdem também densidade, existindo apenas para bagunçar o destino de Adrian. Ainda assim, há valor no conjunto. O livro nos oferece um retrato raro de São Cristóvão e Neves, um país de pouco mais de 50 mil habitantes, que raramente aparece na literatura mundial. Ler Only God Can Make a Tree é, portanto, mais do que acompanhar o destino de Adrian e Clifford: é abrir uma janela para um lugar onde as montanhas descem até o mar, onde o passado escravocrata ainda ecoa nas canções, e onde cada pessoa carrega dentro de si um pedaço da história atlântica. Bertram Roach nos lembra que as pequenas ilhas também produzem grandes dilemas, e que as escolhas de um homem, amar, enriquecer, partir, voltar, podem conter a complexidade de uma nação inteira. Mesmo que o livro não alcance toda a profundidade que sugere no início, ele cumpre um papel essencial: o de revelar São Cristóvão e Neves não como um ponto esquecido no mapa, mas como um território vivo, cheio de memórias e contradições. Only God Can Make a Tree de Bertram Roach. Twickenham: Athena Press, 2008. 149p. Leitura de Outubro 2025.

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