Se Cristo poderá ser a figura mais inspiradora da humanidade, melhor se compreende o frustante de cada usurpação do seu ímpeto, quase sempre tomado de assalto para justificar uma moral que nunca lhe pertenceu. O que o livro de Frederico Lourenço oferece é de uma lucidez desarmante. O jeito honesto do seu ponto de vista, usando a Bíblia tal qual ela é, e não forçando-a delirantemente a fornecer-lhe o que gostaria que ela contivesse (ou, muitas vezes, não contivesse), é a conversa que todos devíamos ter sobre este assunto. Sem mais paixão que a da franca evidência, ao menos reconhecendo o que é evidente, para que possamos identificar, e certamente prezar, o que há em nós do exemplo de Cristo e em que medida isso nos dimensiona como gente melhor. Acreditar em Deus, por outro lado, é outro assunto. Lidar com a influência da historicidade de Cristo na nossa moral, contudo, é inelutável. Ler Frederico Lourenço pe entrar na limpidez possível. O seu livro é de uma brevidade grande, tanto quanto a sua capacidade reveladora e desempoeirada. Um livro admirável. Valter Hugo Mãe (Jornal de Letras, março de 2016)

