Conto: Zeus
Autor: Sergio Mattos
Ano: 2018
Editora: Independente
Páginas: 18
Sempre fico pensativo sobre o que se passa na cabeça de uma pessoa que perde sua sanidade mental e começa a praticar atos hediondos para a sociedade, mas que para ela é algo normal ou até divertido. Confesso que me dá arrepios e desejaria ser um neurônio em seu sistema nervoso para saber qual a sensação e o que se passa nesse ambiente. Em “Zeus”, temos um personagem com essa característica que irá abalar o leitor nessa trama.
A história conta a vida do advogado frustrado com a vida que tinha. Sentia-se velho, inútil, traído e com um casamento que há anos já vinha indo por água a baixo. Dessa forma, ele compra uma geladeira como meio de recuperar um pouco sua autoestima e a partir daí ele arquiteta um plano diabólico como meio de vingança por estar nessa vida miserável.
O autor realmente perturba o leitor com esse conto perverso, sangrento e insano. Foram cenas que me pegaram de surpresa, quando pensava que o pior já tinha passado, outra bomba explode e me deixava sem reação e preso na história querendo saber cada vez mais onde que esse homem iria chegar com tal premeditação.
"Eu era dono de tudo ao meu redor, menos de minha vida".
Narrada em primeira pessoa, pelo próprio protagonista, o enredo desse conto está perfeitamente construído com o objetivo de aguçar todas as sensações no leitor gradativamente, deixando-o perturbado, eufórico e aterrorizado com o que vai se sucedendo no caminhar da leitura, mas ao mesmo tempo essa mesma sensação é incrível.
Durante a narração do protagonista e a forma em que ele a conduz, parece que ele está escrevendo um diário e detalhando tudo e confesso que o final me deixou totalmente nauseado, mesmo não explicitando o que aconteceu, mas fica mais que confirmado a ação que ele tomou e realmente, me embrulhou o estômago.
"Foi a melhor sensação que senti, nos últimos malditos, longos, insuportáveis, aterradores, onze anos de casado. Era uma emasculação lenta e dolorosa. Uma castração química, em doses terrivelmente homeopáticas”.
Portanto, o que tenho a dizer é que leiam esse conto, vocês não têm ideia da história e da audácia do escritor em escrever um conto que mexe com seu psíquico, mas que ao mesmo tempo você considera uma obra de arte. É algo inexplicável e surpreendente. Recomendo para todos os fãs que curtem um bom terror.