Um dos princípios do Libertarianismo é a não-agressão, a não ser nos casos de defesa em território nacional quando todas as possibilidades comerciais e diplomáticas foram esgotadas. Associado a isso, tem a questão de que não se deve obrigar civis a lutarem, principalmente guerras de terceiros. Nessa esteira, no primeiro capítulo o autor trata da agressiva política externa militar dos Estados Unidos e todos os seus efeitos deletérios, sempre apoiada pela dicotomia Democratas & Republicanos e motivada por questões vagas como: levar democracia e liberdade aos povos, obrigação cristã, grandeza nacional etc etc. O livro traz artigos entre 2003 e 2011, porém cobre fatos históricos desde o século XVIII e toca em muitas feridas; por exemplo, trouxe uma questão que eu nunca pensei, de que se os EUA não interferisse na Primeira Guerra, talvez os Aliados não ganhassem, a Alemanha ganhasse e não sofreria com o butim do Tratado de Versalhes, evitando o surgimento do nacional-socialismo. Também de ditaduras financiadas pelos EUA, como o Zaire e o Iraque, e as guerras sem sentido como Filipinas, Vietnã, Coreia e Kwait (ainda não tinha chegado o tempo do Afeganistão). Lembrei aqui da coincidência da era-Trump, em que os EUA não se intrometeram tanto em guerras como nos governos anteriores, talvez porque Trump é um empresário antes de ser político, e sabe que quanto maior o fortalecimento do comércio menor o risco de guerra. Vide, por exemplo, a dependência energética da Alemanha e de outros países europeus do gás russo e o imbróglio da atual guerra na Ucrânia. "Não é verdade que exista qualquer obrigação moral por parte daqueles felizardos que vivem sob regimes politicamente estáveis de darem a vida e suas riquezas a partir de agora e até o fim dos tempos para levar a liberdade a todos os povos do mundo." (I. Guerra e Propaganda)
"O historiador Burton Folsom fez uma importante distinção, em seu livro 'The Mith of the Robber Barons', entre empreendedores políticos e empreendedores do mercado. Os empreendedores políticos alcançam o sucesso usando da violência implícita do governo a fim de prejudicar seus concorrentes e consumidores. O empreendedor do mercado, por outro lado, faz fortuna dando aos consumidores os produtos de que eles precisam a preços que podem pagar e mantêm e expandem sua fatia de mercado por meio da inovação e reagindo à demanda de consumo." (12. O medo equivocado do 'monopólio')
"Apesar de todo o comprometimento com a paz e com a não violência que, supostamente, definiria o progressismo, há uma admiração um tanto quanto excessiva daquilo que podemos chamar de modelo militar de organização social. A suposição de que todas as coisas boas surgiram por causa de uma organização, em larga escala, supervisionada por um líder latindo ordens fala muito da compreensão que essas pessoas têm de como a sociedade realmente funciona." (13. Progressistas: devemos tudo ao governo) E os ditos conservadores não ficam atrás, porque também querem um líder onipotente e que adora o culto à personalidade, impondo suas ideias a quem não concorda. A dicotomia democrata x republicano não melhora com o centrismo, mas com o libertarianismo que, inclusive, dialoga com as duas vertentes, sendo confundido por um ou por outro dependendo do ouvinte. Mas é estimulante o diálogo racional.
Capítulos que tratam da (V) extinção do FED, o Banco Central norte-americano; da (VI) liberdade na história dos EUA, principalmente o que fundamentou a separação do país da Grã-Bretanha, da autonomia dos estados e da autonomia das pessoas; de (VII) temas diversos libertários, inclusive a defesa do fim da escravidão por meios pacíficos; e, (VII) alguns livros que poucas pessoas conhecem. Tudo isso em um contexto dos EUA, claro, mas aplicável em qualquer nação do mundo.
"Nenhum governo opressor pode sobreviver se tiver de usar a força para fazer as pessoas obedecerem às suas ordens. O que o governo precisa fazer é conseguir que elas as comprem o seu discurso, que apoiem, voluntariamente, seus próprios opressores, ou o sistema entrará em colapso. O direito divino dos reis serviu a esse propósito no passado; a ideia do Estado de Direito faz isso agora. Enquanto somente uma pequena minoria questionar o mito, nada acontecerá. Entretanto, assim como ocorreu com a questão do direito divino dos reis, quando a maioria começar a questionar o mito [do Estado de Direito], a estrutura de poder logo entrará em colapso."
Bem, já falei demais, mas o suficiente para um livro que é difícil de encontrar, mas que está disponível na Estante Virtual, além de você poder acompanhar o autor em seu site.