"Godard, Jean-Luc" refaz, filme a filme, a trajetória - desde 1968 - do mais instigante dos cineastas. Os depoimentos de Godard (ao que acrescentamos o roteiro inédito do vídeo sobre o filme Passion) extrapolam a História do Cinema e mostram-no face aos atores, técnicos, produtores ou "Hollywood"; às vezes contraditório, perplexo, injusto, nunca porém satisfeito com algum sucesso passado, desvinculando-se sempre daquilo que já está apto a ser "tomado" pelos sistemas de produção, rompendo sempre com o que poderia vir a ser um "estilo Godard". Assim, talvez, surpreenda alguns leitores estritamente "cinéfilos", que Godard fale tanto das tensões sempre novas nas filmagens, mais que dos aspectos propriamente estéticos do filme, e isto porque a cronologia da sua obra se marca não por uma progressiva ascensão a uma perfeição, mas pelas idas e vindas, sucessos e fracassos do seu relacionamento com os outros, com a "equipe", como o mundo, ou seja, consigo mesmo.