(F-693/10) A Leste Dos Homens

    Polibio Alves

    Inverta
    2018
    164 páginas
    5h 28m
    ISBN-13: 9788586152276
    Português Brasileiro
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    Fabio Shiva25/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Para não morrer de silêncio

    Por sincronicidade, terminei a leitura de “A Leste dos Homens” no mesmo dia em que tomei conhecimento do prêmio literário que homenageia o escritor e poeta Políbio Alves (https://www.joaopessoa.pb.gov.br/noticias/prefeitura-abre-inscricoes-para-premio-literario-que-homenageia-polibio-alves/). Homenagem mais que merecida a esse artista tão inquieto e inquietante, que ainda ousa fazer da Literatura um jeito de bulir na alma da gente. Esse, aliás, é o terceiro livro que leio do autor, o que já me faz merecedor de uma vaga no Fã Clube Políbio Alves! O primeiro foi o espetacular livro de contos “Os Ratos Amestrados Fazem Acrobacias ao Amanhecer” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/02/os-ratos-amestrados-fazem-acrobacias-ao.html), que me pegou completamente de surpresa com sua semiótica agreste e hermética, tal qual um mandacaru selvagem que inesperadamente nos brinda com uma bela flor. Em seguida li “Acendedor de Relâmpagos” (https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2020/05/acendedor-de-relampagos-polibio-alves.html), livro de poemas afiados e cortantes como uma “faca só lâmina”. Por isso é que me aproximei de “A Leste dos Homens” com a cautela de um capoeirista que adentra uma terra alheia, que promete inúmeros perigos. Não à toa, pois eu já sabia que o livro contém relatos das atrocidades cometidas durante a ditadura militar em nosso país. Relatos ainda mais veementes por ter sido o próprio Políbio preso e torturado em 1968, “logo após a passeata dos 100 mil, por ter se indignado com o assassinato de seu colega, o estudante Edson Luís, assassinado com um tiro no coração no restaurante Calabouço.” É certo que minha apreensão (e curiosidade) só fez aumentar ao ler as palavras de advertência com as quais o autor me brindou (e honrou), junto com o seu autógrafo: “Fabio Shiva, querido escritor, aqui dentro tem (há) coisas inimagináveis.” Logo em seguida, em letras impressas, novo aviso reforça a impressão de estarmos adentrando um inferno literário: “Não leia essa escrita. Ela incomoda. E muito. Por favor, não me pergunte sobre esse livro. Enunciá-lo, nunca.” Que posso dizer sobre essa leitura? Coisa mais difícil é tentar fazer um texto de Políbio Alves caber em rótulos. Melhor deixar que o próprio autor diga a que veio sua obra: “Escrevo para não morrer de silêncio.” E é quanto basta. Se quiser saber mais, atreva-se também a ler “A Leste dos Homens”. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/03/a-leste-dos-homens-polibio-alves.html

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