O termo AUTOETNOGRAFIA não é novo. Há pelo menos duas décadas é empregado por autores tanto no campo dos estudos literários quanto do campo da antropologia. A partir do momento em que algumas perspectivas antropológicas retomam a questão do indivíduo e que a subjetividade do próprio antropólogo passa a ser discutida em sua relação com a construção do texto etnográfico e que, por sua vez, no campo dos estudos literários, passam a predominar perspectivas teórico-críticas que enfatizam a contextualização e a historicidade das produções culturais e nas quais o autor e sua localização passam a ser compreendidos como dados de certo modo incontornáveis para a compreensão dessas mesmas produções, os gêneros autobiográficos e biográfico voltam a interessar como repositórios de questões que envolvem não apenas modos de construção do SELF através da escrita, mas, e principalmente, sua relação com a cultura e a sociedade através da qual e na qual esse SELF interativamente se constrói. É portanto nesse contexto de mudança de perspectivas teórico-críticas e epistemológicas parcialmente vivido por ambas as disciplinas, no qual a subjetividade do produtor de conhecimento (formal ou do "senso comum") passa a ter uma importância decisiva, que surge o termo AUTOETNOGRAFIA.
Autoetnografias - Conceitos Alternativos em Construção
Daniela Gianna Claudia Beccaccia Versiani
7 Letras
2005
257 páginas
8h 34m
ISBN-13: 9788575772232
Português Brasileiro
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