A aplicação da doutrina social cristã é de responsabilidade dos leigos e tem sido tentada por estes de maneira tímida e transigente. A confiança é frequentemente posta apenas na evolução natural da História e numa lenta formação de mentalidades, a partir do pressuposto ingênuo de que os homens acabarão por apoiar, espontaneamente, os privilégios pessoais. Como a inteligência humana tem por objeto a verdade, e aquilo que a inteligência afirma como verdade a vontade aceita como bem, tudo estaria em aguardar, com prudência, a evolução natural da História que terá por termo a realização possível do bem comum. Ora, o que a História mostra é que a natureza decaída do homem tem implicado, nas estruturas econômicosociais, o exacerbado egoísmo, o abuso do poder e o desejo de domínio de uns sobre outros. Em verdade, a destinação providencial dos bens materiais tem sofrido grave desvio: de instrumento de atendimento das necessidades humanas, converteram-se esses bens em objeto de privilégios e em meios de dominação inter-humana. Os homens, em vez de se preocuparem em dominar conjuntamente o mundo pelo trabalho, alcançando a libertação da miséria, preocupam-se antes em dominar uns aos outros, através da apropriação privilegiada de bens materiais, tornando inautêntica a "mediação" que o mundo exerce na "comunicação das consciências". Esta é a perspectiva inicial de análise da dominação que se exerce na atual estrutura, adotada por uma corrente de pensamentos que vem estudando nossa realidade, em termos de compreensão global e com a preocupação de dar estrutura filosófica "realista, não materialista" a um movimento social cristão, que está surgindo no Brasil. (Pe. Lima Vez, Revista SPES, n. 14, págs. 97 e seguintes.)
Os Cristãos e a Revolução Social (Os Cristãos) -
Paulo de Tarso
Zahar
1963
135 páginas
4h 30m
ISBN-13: 9789897210068
Português Brasileiro
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