cheguei a este livro após assistir o filme o espelho. existe um antes e um depois de tarkovski na minha vida em relação ao cinema. antes de tarkovski eu não me sentia ligada a essa forma de arte. eu encarava o cinema como um passatempo. bem diferente de como eu enxergo a literatura, por exemplo. depois de o espelho, um novo mundo se abriu para mim e eu descobri mais cineastas que me provocassem arrepios e pulsações, como a literatura, a pintura e as performances fazem.
arte para tarkovski é um ato de fé, é como a religião para quem tem credo em deuses. e eu não entendia o significado da arte, da literatura e agora do cinema na minha vida antes de tarkovski.
entendi, então, que eu encaro tudo isso como um crente encara a sua fé. eu creio nos livros, eu creio nas pinturas, nas perfomances e, depois de tarkovski, no cinema.
“na arte, como na religião, a intuição equivale à crença, à fé. é um estado de alma.”
“a arte não raciocina em termos lógicos, nem formula uma lógica de comportamento; ela expressa o seu próprio postulado de fé.”
saindo das minhas observações pessoais, este livro abriu um caminho novo para além do meu campo espiritual. ele me fez enxergar o cinema à luz da poética. fez com que eu desse valor a essa arte que exprime tão bem o tempo. em meio às opiniões polêmicas — das quais discordei em alguns momentos —, o livro não se resume a somente isso. este livro representa o amor que alguém dá pela arte.
tarkovski expressou a sua vida no cinema. no final do livro ele diz isso: ele não fala de cinema mais, ele fala da vida.
o cinema moveu tarkovski. todos os admiradores desse homem deveria ler este livro.