Memórias de um menino judeu durante a Segunda Guerra Mundial O livro Roubaram minha infância traz a história verídica de um sobrevivente singular da II Guerra Mundial: um menino com alguma sorte e muitos sonhos. Apesar de toda a atrocidade contra os judeus durante o Holocausto, a infância de Freddy Siegfried Glatt é permeada por momentos poéticos, singelos e inesquecíveis. Acontecem enquanto ele aprende a colher uvas em um vinhedo imenso, mesmo quando a guerra atravessava o mundo e sua família tentava fugir. Ou mesmo nos breves minutos em que ele furtava ovos de galinha e os furava com alfinete, sugando-os ainda crus e imaginando a surpresa dos donos do galinheiro. Por entre essas linhas, as palavras do autor passeiam pela diversidade dos espaços percorridos e dos idiomas adquiridos. Seus olhos de menino nos encantam e comovem.
Roubaram minha infância - Autobiografia de Freddy Siegfried Glatt
Freddy Siegfriend Glatt, (Org.) Sofia Débora Levy
Edições (1)
Ver maisA Segunda Guerra Mundial pelo olhar de uma criança
Eu cheguei ao livro "Roubaram minha infância - memórias de um menino judeu durante a Segunda Guerra Mundial" após assistir a um vídeo no canal da ONU Brasil, no Youtube, em que Siegfried Glatt, autor do livro, conta um pouco de sua trajetória - no final do post você pode assistir ao vídeo. Na foto capa deste post, Freddy Glatt é o menino da direita. Glatt já tem 92 e mora no Brasil, país para onde se mudou após a grande guerra. Apesar da ideia avançada, ele ainda é presidente da Associação dos Sobreviventes do Holocausto e dá muitas palestras em escolas e universidade. Um dos seus maiores medos é que, com o falecimento do último sobrevivente do Holocausto, as memórias dessa tragédia humanitária sejam apagadas - e a história possa se repetir. Esse foi o motivo que o levou a escrever este relato de memória, para deixar viva e registrada não somente a sua história, mas a de todos aqueles que viveram e sobreviveram a esse genocídio. O livro se inicia quando Hitler já havia sido eleito e o movimento nazista ganhava força e as ruas da Alemanha. Após a loja de seu pai ser atacada por nazistas, a família de Freddy se mudou para a Bélgica. Esta foi a primeira de muitas mudanças que eles tiveram que fazer nos anos seguintes. Chegaram a morar até no sul da França. Nessas idas e vindas, os irmãos mais velhos de Freddy foram parar no campo de concentração de Auschwitz, assim como seus avós maternos. Ele nunca mais os viu. Décadas depois, encontrou, no Museu do Holocausto de Washington, documentos que provavam a captura e também o assassinato deles - esses documentos estão no livro. Sozinho com a mãe, no período mais cruel e sangrento da guerra, Freddy começou a trabalhar aos 14 anos e narra tudo que teve que fazer para não ser preso, ao mesmo tempo em que continuava trabalhando para levar dinheiro para casa. Eles viviam se escondendo e passaram frio e fome. Felizmente, tiveram a ajuda de vizinhos e até mesmo dos funcionários da prefeitura da cidade que nunca os denunciaram, mesmo sabendo que eram judeus. Freddy também se separou da mãe e morou por um tempo em um abrigo coordenado pela resistência belga com a ajuda de um rabino e a Juventude Operária Cristã, que acolhia meninos judeus. Misturados aos meninos católicos, eles fingiam também serem cristãos. Um dia a polícia nazista baixou no abrigo e alguns meninos foram levados. Eles nunca mais foram vistos. No vídeo a que assisti, Freddy também conta que, da sua última turma da escola antes da guerra, ele foi a única criança que sobreviveu. Com o fim da guerra, Freddy e sua mãe decidiram se mudar para o Brasil, para onde o pai dele já havia se mudado anos antes. Por morar no país há tanto tempo, ele fala português muito bem e, por isso, o livro foi escrito em português.
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