O Museu das Coisas Inatingíveis foi cedido em cortesia pela editora Novo Conceito e é escrito pela Wendy Munder. Ele conta a história de duas amigas: Zoe e Hannah moram em Nova Jersey, mas não são adolescentes comuns. Hannah é mais certinha e reservada, ainda é apaixonada pelo primeiro garoto que beijou, tem um pai alcoólatra e uma mãe com depressão. Ela trabalha em um carrinho de cachorro quente que o pai a fez comprar pois, apesar de ter o seu emprego, não acredita que a filha deveria fazer faculdade e se nega a pagar.
Já Zoe é destemida, diagnosticada com transtorno de bipolaridade, mas não acredita nisso. Ela é a família de Hannah, já que o pai e a mãe são ausentes. Zoe tem um irmão extremamente inteligente capaz de entender a teoria da relatividade em minutos, mas que não é capaz de entender sentimentos. Por isso, Zoe faz para ele “O museu das coisas intangíveis” onde mostra com fotos e objetos de forma que ele entenda melhor os sentimentos.
Há um tempo, Zoe foi internada devido a um dos seus ataques de transtorno de bipolaridade. Hannah ficou desolada de ver a amiga naquela clínica, o tempo todo dopada e prometeu a si mesma que faria de tudo para que a amiga nunca mais ficasse daquele jeito. De lá para cá, elas criaram várias técnicas para Zoe não ter mais nenhum ataque. Mas, numa bela noite, um surto acontece.
Zoe fica vários dias sem sequer se levantar da cama e a mãe resolve que a melhor solução é interná-la novamente. Quando Zoe descobre isso, foge de casa e vai atrás de Hannah que não nega uma ajuda para a amiga. É aí que as duas fogem e começam uma aventura percorrendo os Estados Unidos.
Devo dizer que a viagem sem rumo me lembrou muito do livro Teorema Katherine. Hannah cresce muito durante a viagem, mas a maior parte do tempo, apesar do propósito ser o contrário, ela está preocupada com Zoe e querendo voltar para casa. Zoe vê tudo isso e ainda assim insiste na viagem e assusta Hannah em vários momentos, principalmente quando diz sobre deixá-la.
Achei Zoe bem egoísta em vários momentos mesmo levando em conta o final. Ela te leva a acreditar em tudo que diz e que tudo que faz tem, no fundo, um propósito. A autora deixa uma ponta solta e um mistério no ar.
Esse comportamento todo de Zoe me irritou muito; ela sabia o quanto era importante para Hannah e apesar de não querer que a menina dependesse tanto dela, tinham outros modos de se fazer esse “afastamento”. Por outro lado, o sumiço de Hannah fez com que a mãe dela reagisse e tentasse melhorar, o que foi bom.
Apesar de Zoe achar Hannah sem atitude e sem graça, Hannah é corajosa e enfrenta vários comentários babacas e machistas. Coisa que adorei na Hannah e acho que ela devia mostrar mais esse lado dela no livro, o que não aconteceu para minha decepção.
"- Então, as mulheres são as únicas culpadas? - pergunto.
- Sim - ele responde
- E não os homens que as deixam grávidas e não sustentam os filhos? Os homens têm o direito de ir embora e deixar os filhos serem sustentados pelo governo? Suponho que eles não queriam fazer sexo. Eles forma enganados por essas mulheres traiçoeiras. Interessante."
De modo geral, a escrita não é cansativa, pelo contrário, quando eu reparava já tinha lido 100 páginas em pouco tempo. Um detalhe que achei bem cuidadoso, assim como as “mostras” no museu das coisas intangíveis do irmão de Zoe, o livro tem cada capítulo com o nome de um sentimento. Adoro quando os capítulos são nomeados dentro da temática.