Primeiro vamos falar sobre esta capa linda: o tom sobre tom dá a impressão de que a figura faz realmente parte da floresta, que é o cenário da história como o próprio nome sugere.
A trama se passa durante o período medieval, quando havia os senhores donos de feudos. Logo nas primeiras páginas, a autora deixa um mapa para situar os feudos e para que o leitor possa entender e imaginar melhor.
Na introdução da obra a autora explica que se trata de uma história baseada no conto dos Irmãos Grimm, Os Cisnes Selvagens, e mantém elementos das fábulas. Ainda há a explicação de algumas pronúncias do Irlandês Gaélico antigo utilizadas no livro. Por exemplo, Sorcha se pronuncia Sorca.
Sorcha, 13 anos, é a sétima filha de um sétimo filho. Sua mãe morreu durante o parto que deu vida à nossa protagonista, seu pai tornou-se distante de todos e então os 7 irmãos cresceram por si mesmos. Até que a madrasta chega e, digna das fábulas, é vil e má. Quando os irmãos recebem uma magia terrível, Sorcha consegue fugir. Então guiada pelos Seres da Floresta, deve realizar uma tarefa a fim de desfazer o mal, sem a ajuda de ninguém e de forma peculiar. Em determinado momento Red, um bretão (inimigo), a encontra, e como não sabe quem ela é, resolve a levar para a sua casa e mantê-la até ter notícia de seu irmão, Simon, que saiu em busca de aventura.
Sorcha é uma ótima contadora de histórias, e é através dela que ficamos conhecendo histórias celtas, da velha Irlanda, demonstrando a riqueza cultural daquele povo. O livro acontece em um espaço de tempo bacana, de 3 anos.
Sim, sei que estou sendo muito vaga e posso até estar lhes confundindo um pouco. Mas, por favor, entendam que se eu contar qualquer coisa a mais, estragarei totalmente as maravilhas do livro.
Aventura, impacto, agonia, repugnância. As cenas são fortes em todos os momentos sejam eles bons ou ruins. O final é interessantíssimo, com várias surpresas e cheio de expectativas. Com um ritmo envolvente, é impossível largar o livro.
Ao longo da lenta leitura 600 páginas lidas em 5 dias, pude absorver vários elementos expostos pela autora. E o mais formidável, a meu ver, foi sobre a importância da cultura de cada povo, do respeito mútuo e da importância da tradição. O respeito com a natureza também estava presente em todos os momentos.
Pontos Positivos: Não há uma história de amor/paixão repentina. Tudo acontece lentamente, de acordo como as personagens vão se conhecendo e nós a elas. Tudo muito palpável. A história é bem original (apesar de ser baseada em um conto antigo).
Pontos Negativos: Foi muito difícil pensar em pontos negativos para uma obra tão bela. Talvez a madrasta tenha aparecido pouco e acabamos não a conhecendo direito. Ficamos sem saber o que ela é, o que faz realmente.
A Editora Butterfly merece uma salva de palmas pelo capricho na diagramação. Os desenhos em cada início de novo capítulo são lindos.
Se este livro é bom? Sem dúvidas! Todos correndo para a livraria em 3,2,1, já!