Não consigo imaginar o quanto Jorge Amado deve ter se divertido escrever esse livro, pois cada página, cada palavra exsudam uma alegria profana que só pode vir do cotidiano, da intimidade. O primeiro volume de Tieta do Agreste nos apresenta a cidade de Sant'Ana do Agreste. Essa pequena povoação, distante dos grandes centros, mantém certas características interioranas como o fervor religioso, as brigas políticas e o julgamento social. É devido a uma confluência dos três que a pirâmide social dessas cidades é formada. Logo, a presença de alguém como Tieta põe em cheque os valores da tradicional-família-brasileira que mantém-se em determinado patamar através delas. A corrupção de Tieta não é maior do que a de um suborno político ou de um caso com um padre, ela é a mulher que se recusa a ser submissa, que usa o sexo como arma, que mostra que a necessidade perdoa tudo, ou quase. Carmosina, Ascânio, Osnar são apenas personagens periféricos, mas as pequenas informações que o autor dá para situá-los perfazem uma história que se torna colorida para o leitor, e vivida para quem já viveu no interior. Recomendo.








