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    O Falso Mentiroso - memórias

    Silviano Santiago

    Rocco
    2014
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-10: 853251684X
    Português Brasileiro
    3.4
    17 avaliações
    Leram36Lendo1Querem32Relendo1Abandonos1Resenhas0
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    Considerado um dos maiores escritores brasileiros vivos, Silviano Santiago convida o leitor, em O Falso Mentiroso, a adentrar uma imensa sala de espelhos em que tudo pode ser - e não ser - o que parece. Todas as dicotomias políticas e econômicas da vida contemporânea são trabalhadas pela criação romanesca, com o fim de nos dar uma interpretação bem-humorada, pessimista e impiedosa da segunda metade do século XX. Não existe melhor guia para se abrir as portas do novo milênio. O autor explora as contradições da modernidade através do seu duplo, Samuel Carneiro de Souza Aguiar, um carioca da gema que, depois de mil e uma aventuras picarescas no Colégio Andrews, torna-se pintor, transpondo para a tela, num teimoso e inusitado exercício de cópia, as belíssimas gravuras de Goeldi. Às vezes, a cópia pode ser tão ou mais autêntica do que o original – não é este um dos paradoxos tanto do pensamento, quanto da ciência e da indústria latino-americanos? Silviano parte de uma única e obsessiva informação. A de que o narrador do livro, Samuel, podia ser - e podia não ser - filho natural do casal formado por Eucanaã – dono de lucrativa fábrica de camisas-de-vênus, que se apresenta à sociedade carioca como advogado de sucesso – e por Donana, estéril dona-de-casa carola. Os nomes bíblicos são mais uma peça num quebra-cabeça que não parece levar a lugar algum, a não ser à reflexão sobre os tempos bíblicos que estamos revivendo. Do mesmo modo, os diálogos do industrial carioca com o renascentista Gabriel Falópio, inventor da camisa-de-vênus, e com Malthus, responsável no século XIX pela teoria sobre o controle da natalidade, são contrapontos que incitam o leitor a repensar questões atualíssimas Um dos maiores conhecedores da literatura machadiana, o próprio Silviano se farta, em O falso mentiroso, da figura do narrador de Memórias Póstumas de Brás Cubas, aquele que caminha pelo livro como o bêbado pela rua. Samuel apresenta hipóteses para seu nascimento. Muitas. É filho de gente rica? Enjeitado de amante pobre? Carne apenas do pai? Consolo da mãe? Quem sabe? A fortuna da família, conseqüência do uso indispensável pelo homem da camisa-de-vênus, acaba com a descoberta da penicilina por sir Alexander Fleming e depois pela da pílula anticoncepcional. Esbanjamento e miséria se encontram no percurso familiar do nosso herói. As memórias do falso mentiroso, como as de todo e qualquer ficcionista, são fugidias, líricas, servas da beleza e da desgraça épica. Ou cotidiana. O falso mentiroso é Samuel, um pintor que copia as gravuras de Goeldi e, ao copiá-las na tela, metamorfoseia o trabalho original, chegando a soluções extraordinárias, nem sempre bem aceitas pela crítica. Silviano Santiago ousou escrever as reminiscências, o diário, as lembranças, do que se pode chamar o perfeito personagem de romance. Um ser de papel, que não tem a mais vaga ideia de onde veio. Um indivíduo que, à semelhança das palavras finais do romance clássico de Machado de Assis, renasce diariamente com um único propósito: o de deixar no mundo uma família a menos.

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    Silviano Santiago

    Escritor, poeta, professor, tradutor, ensaista e crítico literário dos mais destacados na literatura brasileira. Começou a escrever na "Revista de Cinema", com um artigo sobre os musicais norte-americanos. Em 1955 ajudou a publicar a revista "Complemento", onde apareceu seu primeiro conto: Os velhos. Em 1959, formou-se em Letras Neolatinas. Sua estréia literária em livro se dá com 4 poetas (1960). Já no Rio de Janeiro, começa a se especializar em literatura francesa, o que o levará ao doutorado na Universidade de Paris, Sorbonne, onde defende tese sobre André Gide. A partir daí vira professor profissional e passa a dar aulas nas universidades de New Mexico, Rutgers, Toronto, New York at Bufafalo e Indiana. No Brasil, lecionou na PUC do Rio de Janeiro na Universidade Federal Fluminense, até se aposentar. Em 1985 publica suas traduções para os poemas de Jacques Prévert e dez anos depois, traduz Por que amo Barthes, de Alain Robbe-Grillet.

    38 Livros
    22 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Silviano Santiago