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    Araruama (Saga Araruama #2) - O Livro das Raízes

    Ian Fraser

    Moinhos
    2018
    312 páginas
    10h 24m
    ISBN-13: 9788545557449
    Português Brasileiro
    4.7
    112 avaliações
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    Favoritos35Desejados242Avaliaram112

    Imagine que, ao nascer, você já saiba quantos anos viverá. Se viver muito, terá que enterrar todos aqueles que ama. Mas se for viver pouco, que escolha terá? O que você faz com o tempo que lhe é dado? Esse é o dilema dos habitantes de cada um dos sete povos de Araruama, a ambiciosa e envolvente proposta cosmogônica de Ian Fraser, este baiano de nome importado e sangue nativo, que se lançou, com método e estilo, ao desafio de criar um mundo. Um em que velhas Majés preveem o futuro, animais gigantescos guardam as passagens, e anhangüeras, nem mortos nem vivos, assombram as matas. E um mundo nascido da fusão cultural das três Américas pré-colombianas, onde, tal qual no famoso mapa do uruguaio Joaquín Torres Garcia, o nosso norte é o sul. Assim temos Apoema, a arqueira destinada a ver o futuro sem poder mudá-lo, nascida na fria, montanhosa e incaica aldeia de Ivituruí. Temos o jovem e reticente líder Kaluanã e seu amigo Obiru, um destinado a viver muito, o outro a viver pouco, vindos da aldeia de Otinga, de inspiração pataxó e tupinambá. O espirituoso Eçaí, com orelhas de jaguatirica que lhe dão audição aguçada, vem da cidade de Itaperuna, de inspiração asteca. Já o casal formado pelo gigantesco Batarra Cotuba e a feroz Izel Pachacutec vem de Buiagu, que funde a cultura maia com as cidades escavadas dos anasazi. O ágil Ook Séeb, com suas luvas de garras férricas, vem de Atibaia, de inspiração choctaw norte-americana, e Najoch Su’uk vem da pantaneira Tucuruí, de inspiração paiaguá. Mas enquanto os jovens percorrem a Ibi, a deusa mundo, no seu rito de passagem conhecido como Turunã, é na capital do continente, a cidade de Mboitatikal, de inspiração maia, que intrigas movidas por inveja, poder e ambições pessoais ameaçam mergulhar toda Ibi em guerra. O que Fraser vem construindo desde o primeiro volume da saga Araruama é nada menos que impressionante: com sua geografia reinventada, hierarquia social estruturada e religião própria, não raro a sensação é como se estivéssemos lendo Tolkien escrever o Apocalypto de Mel Gibson. A imagem que temos da América pré-colombiana e dos povos indígenas é, em grande parte, aquela que o conquistador europeu encontrou ao tempo da colonização. Mas sempre me perguntei: que narrativas épicas estariam vivendo esses povos, que monstros míticos ou deuses temperamentais habitariam a América enquanto os egípcios antigos povoavam o Nilo, enquanto gregos e troianos se enfrentavam? Quantas cidades míticas teriam, assim como Tróia, se perdido no tempo? O tempo, ou a deusa Monâ, que é elemento central dessa nova cosmogonia, fundamentada em Lévi-Strauss e inspirada em García Márquez, para atingir algo novo, inédito na literatura brasileira. Pois ao situar sua aventura em um tempo antes da História conhecida — “quando o tempo ainda era cru” — Fraser parte do folclórico para chegar no mitológico. E isso, leitor, traz uma energia e uma força criativa a serem respeitadas. Samir Machado de Machado (https://editoramoinhos.com.br/loja/araruama-o-livro-das-raizes/)

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    Felipe Duarte picture
    Felipe Duarte02/03/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Na natureza não há armas, há apenas a fome." Já começamos o livro vendo que os mitaguariní estão tendo um pouco de dificuldade com o grande verde de Cajaty, ou no breu abaixo da terra. E nos primeiros capítulos percebemos o quanto a mata é bela e perigosa ao mesmo tempo. Daí pra frente ficamos encarregado de presenciar todos os combates que eles são obrigados a vencer, do mais simples amarelo a mais colossal fera que os espreita esperando apenas a hora certa de atacar e roubar seus amanhãs. "Mas os olhos amarelos, estes ainda testemunhavam a tudo." Ficamos mais íntimos dos personagens que foram apresentados no final de; o livro das sementes. Pouco a pouco Ian nos presenteia com uma morte que não esperamos. Conhecemos os leves segredos e as incertezas que os rodeiam durante toda a jornada do turunã. Vemos a doçura de Batarra, a fúria da liderança de Guarapyrupã , a irmandade entre Eçaí e Ook Séeb, o abraço de Kaluanã na Ibi, Najoch revela-nos um futuro indesejado, Urquchillay com sua missão secreta, Apoema com os sonhos do futuro e Obiru que mesmo tendo dificuldade não desiste de encontrar o espírito de Etê. Reencontramos um Velho conhecido do qual tem seus pés virados para trás, e conhecemos o seu irmão, um personagem muito misterioso e enigmático. Nesse livro são concluídas algumas lacunas que ficaram abertas em seu antecessor, e assim outras se formam. "Independente de direito ou alegria tudo é aprendizado." Nem todas as criaturas que caminham na Ibi são perigosas, pois Aráybaca, nos revela sua bela e doce inocência, fiquei encantado com sua personalidade. Somos presenteado com a grande presença do Acauã Cabrué, que demostra ser uma ave sábia, que nos foi apresentado por Caturama em seu antecessor. O autor também nos faz amar um abaeté, que odiamos no livro das sementes. Como todo autor tem uma escrita que nos prende do começo ao fim, com Ian Fraser não é diferente, pois sua escrita e fluida e poética, cada descrição é magnifica e nos transporta para a imensidão verde que cerca os futuros guariní. Mais não só é uma escrita poética e fluida que nos prende, o que realmente nos prende são as pequenas descrições de um futuro não tão distante que está prestes a acontecer em toda a Ibi, que é exatamente o que nos faz desejar a continuação. "E quem disse que Monâ é boa, Amanayara?"

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    Ian Fraser Lima

    Ian Fraser nasceu em Salvador, Bahia, no ano de 1983. Formado em Cinema & Vídeo e fundador do Teclado Disléxico, seu primeiro romance, O Sangue é Agreste, venceu o prêmio Jovem Autor Inédito pelo Selo João Ubaldo Ribeiro. O romance, um faroeste brasiliense repleto de experimentalismo formal, é o primeiro capítulo na trilogia Os Livros do Sertão. Ian Fraser também escreveu e produziu a peça A Máquina Que Dobra o Nada, sucesso de crítica e vencedor do Prêmio Braskem de Teatro, a maior premiação do teatro baiano, na categoria Melhor Espetáculo Infantojuvenil.

    9 Livros
    87 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Ian Fraser Lima