A exploração, pela mídia, dos esportes de aventura (servindo-se de corridas, rapel, arvorismo, tirolesa e outras bobagens-que-parecem-aventura-mas-não-são, apenas como assunto para o esporte espetacular ou para o noticiário da noite) lança sobre os interessados a impressão de que só se consegue praticar aventura em eventos organizados. Ou sob a supervisão de “guias”, “monitores”, “organizadores”, e outros profissionais do ramo. A comercialização desdes mesmos esportes, pelas agências de eco-turismo e guias particulares, também procura pintar a aventura como um bicho de sete cabeças, para que você nem pense em sair de casa sem um guia a tiracolo. Os (raros) acidentes divulgados pelo noticiário, só tendem a confirmar esta impressão. E como funciona! Pois as pessoas realmente têm medo do desconhecido, de se perderem, de se verem vítimas do inesperado, longe da cidade.No entando, aventuras são uma coisa muito simples, espontânea, natural... Basta jogar dentro de uma mochila, um pouco de roupa, saco de dormir, barraca, água e comida, bússola e mapa – e sair por aí a acampar. Nada muito fora do comum. Mas é preciso conhecer as técnicas, familiarizar-se com os perigos, e saber no quê está se metendo.Este livro busca resgatar o espírito de aventura, o saudável impulso de explorar as trilhas selvagens (ou nem tão selvagens) de nossas montanhas, florestas e parques. Mais do que simples esporte ou recreação, sair por aí – a pé, ou de bicicleta, de canoa, a cavalo – é uma forma de dar vazão ao seu lado selvagem, reforçando a auto-estima e sua auto-confiança. De sair da rotina, liberta-se da mesmice do dia a dia, e descobrir suas melhores qualidade. De redescrobrir, enfim, sua própria coragem – em vez de continuar sendo simplesmente um espectador de proezas alheias.
Convite à aventura -
Sérgio Beck
Summus
1989
208 páginas
6h 56m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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