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    Papéis de Maria Dias -

    Luci Collin

    Iluminuras
    2018
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9788573215878
    Português Brasileiro
    4
    4 avaliações
    Leram4Lendo0Querem7Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados7Avaliaram4

    Esta não é uma orelha comum pois o livro a que se refere é incomum. Raro. Estranho. No entanto, a história ou as histórias a que se referem os Papéis de Maria Dias são incrivelmente comuns. Como o nome da protagonista, Maria, o assunto delas é o mesmo que seu sobrenome indica: dias que correm e escorrem, e nem se faz necessário o d maiúsculo, já que os dias de Maria Dias — o assunto deste livro — são chinfrins. Minúsculos. Mas eis que a vida mais comum é tingida de absurdo. Toda existência tem à solapa uma vida secreta. Esta, no caso, tem cinco vidas secretas, cinco Marias Dias cujas cinco existências se dão da maneira mas estapafúrdia no interior da labiríntica cachola de Luci Maria Dias Collin, primeira e única, irrepetível. Atravessada por dezenas de vozes — as vozes das numerosas testemunhas das vidas das cinco Marias —, Luci Collin faz o leitor hesitar: seria uma autora ou um instrumento, quem sabe uma pianola, daquelas que se valem de mecanismos pneumáticos para tocar músicas registradas em rolos de papel perfurado, tamanha é a fidelidade com que ela capta a dicção alheia e a devolve em forma textual? De estrutura cristalina de tão geométrica, o romance contrapõe à suposta normalidade dessas vidas-de-maria, as biografias extraordinárias de cinco cientistas: o racionalista-dogmático Christian Wolff, o astrônomo James Bradley, o multicientista Christiaan Huygens, o megaultracientista John Hadley (como esses nomes se parecem, não?) e André-Marie Ampère, criador da eletrodinâmica. Todos homens. Todos célebres. Contraposto às coisas concretas que preenchem a vida das cinco Marias, a esses fatos miúdos, o extraordinário se dissipa e algo, aí sim, verdadeiramente extraordinário entra em jogo: o absurdo se impõe através da sinfonia vocal da boataria harmônica composta pelas muitas vozes que aprovam e ao mesmo tempo negam vidas que, de outro modo, não teriam sido vividas. A estratégia de Luci Collin é camicase: despreza a recepção, e compreende a literatura como objeto fora do mercado. Ela sabe, como Thoreau, que o comércio amaldiçoa tudo o que toca. Em tempos de mercantilização extrema, nunca uma mulher sozinha em casa diante da página em branco — a produzir algo que não vende barato — foi tão perigosa. Joca Reiners Terron

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    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho10/01/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    As obras de Luci Collin possuem certa particularidade - que decorre do estilo da autora - que pode ser percebida em traços em suas tantas obras. Inobstante a versatilidade para escrever em diferentes gêneros, nos textos de narrativa ficcional, onde se preza pela experimentação, fragmentação e outras tantas características que, reunidas, repercutem no reconhecimento de um texto como sendo de Luci há algo próprio que faz com que a leitura seja viciante e estonteante. Em "Papéis de Maria Dias" não é diferente. Quem é Maria Dias? Ou quem são as Marias Dias? Há mais de uma presente na obra, cada qual com suas características que as define enquanto tais, distinguindo-as das demais. Mas também há os pontos de aproximação, fazendo com que o leitor desconfie da multiplicidade de personagens, podendo ser diferentes versões de uma mesma Maria. Há a Maria que é presa por vender relíquias de famosos, assim como há aquela que também foi presa, mas por dever pensão ao ex-marido. O livro acaba sendo uma espécie de convite para que o leitor decifre cada uma delas. Joca Terron registra na orelha do livro que são dezenas de vozes que testemunham as vidas de cinco Marias, salientando que "Luci Collin faz o leitor hesitar:seria uma autora ou um instrumento, quem sabe uma pianola, daquelas que se valem de mecanismos pneumáticos para tocar músicas registradas em rolos de papel perfurado, tamanha é a fidelidade com que ela capta a dicção alheia e a devolve em forma textual?". Cabe ao leitor tentar dizer após a a aprazível leitura que o livro proporciona.

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    Luci Maria Dias Collin

    Luci Collin é uma ficcionista, poeta e tradutora brasileira. Graduou-se no Curso Superior de Piano/Performance (Escola de Música e Belas Artes do Paraná, 1985), no Curso de Letras português/inglês (Universidade Federal do Paraná, 1989), e no Bacharelado em Percussão clássica (Escola de Música e Belas Artes do Paraná, 1990). Concluiu o Mestrado em Letras/Literaturas de Língua Inglesa na UFPR (1993) com a dissertação "The quest motif in Snyder's The Back Country", o Doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês na Universidade de São Paulo (2003) com a tese "A composição em movimento: a dinâmica temporal e visual nos retratos literários de Gertrude Stein" e dois estágios de Pós-doutoramento em Literatura Irlandesa na USP (2010 e 2017). É Professora Associada no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR, onde trabalha desde 1999. É Membro da Academia Paranaense de Letras ocupando a Cadeira n. 32. Em 1984 lançou seu primeiro livro, Estarrecer (poesia), recebido com críticas muitos positivas. Ao longo de mais de 30 anos de carreira, Luci Collin escreveu artigos e ensaios para diversos jornais e revistas literárias, participou de antologias nacionais e internacionais (EUA, França, Alemanha, México, Argentina, Peru, Uruguai), e recebeu prêmios de concursos de literatura no Brasil e nos EUA. Representou o Brasil no Projeto Literário no EXPO 2000 em Hannover, Alemanha. Também traduziu autores como Gary Snyder, Gertrude Stein, E. E. Cummings, Eiléan Ní Chuilleanáin, Vachel Lindsay, Jerome Rothenberg e Moya Cannon, entre outros.

    16 Livros
    11 Seguidores
    Paraná, Brasil

    Luci Maria Dias Collin