Hoje minha resenha vai ser um pouco diferente das que costumo fazer. Estou tentando absorver o impacto que esse livro causou. Sabia que seria pesado, mas não estava preparada para isso. Carmen Jenner, você foi brilhante! O livro é maravilhoso, capaz de provocar reações diversas no leitor. Recomendo ter a mente aberta ao embarcar nessa jornada. Como já falei, é uma estória pesada, dark, com várias situações que causam desconforto e que podem ser gatilhos para algumas pessoas. Mas se você resolver dar uma chance, respire fundo e embarque na leitura. Garanto que não irá se arrepender.
Pet (bicho de estimação) é uma bailarina famosa que é sequestrada de seu camarim após sua apresentação. Ela acorda em uma gaiola, nua, machucada, faminta, com sede e sem memória. Não sabe quem é, o que está fazendo ali e nem quem a trouxe. E então entra em cena Ares, um personagem enigmático, que você irá odiar durante toda a leitura. A autora estava certa quando disse que as pessoas amariam odiá-lo.
Ares é um Dominador, cujo “trabalho” é treinar mulheres ate elas se tornarem perfeitas escravas submissas e então vendê-las em um leilão pelo maior preço. Já deu para perceber o tom do livro. Esqueça o romance. Aqui ele não existe. Assim como não existe um casal para se torcer. É literalmente a terra dos Deuses e Monstros do título do livro, um lugar de dor, de humilhação, de submissão e um submundo onde as fantasias não tem limites, preços ou morais.
E com esse cenário armado, assistiremos Ares tentar “quebrar” Pet, que lutará de todas as formas para não se perder de si mesma mais ainda. Conforme Ares avança no treinamento, Pet vai se odiando, pois apesar de seu espírito querer lutar, seu corpo se rende aos caprichos de seu novo Mestre. Quem ganhará essa luta?
A sacada da personagem não ter um nome, uma identidade, foi genial. Somente no fim do livro, na última página é que descobrimos seu nome. Durante toda a narrativa ela atende por Pet, o que ajuda a caracterizar o estado de submissão, de escrava, de propriedade que ela se encontra.
Ares tem um irmão gêmeo, Hermes, tão ou mais perigoso do que ele. Novamente, o trocadilho com a mitologia foi interessante. Ares realmente é uma força da natureza, nada o perturba, seu comando é ordem para os ouvidos submissos. Hermes por outro lado, é o mensageiro dos negócios dúbios, é o homem por trás de toda a transação e do dinheiro. Os dois tem um motivo maior para estarem nesse ramo, o que despertou minha curiosidade. Como dito por Pet, se os monstros têm medo de alguém, vale minha curiosidade.
Ares mostra (apesar de breve e sempre calculado) alguma emoção. E o passado está se repetindo novamente. Ares, Pet e Achilles foi um enredo que não vi se aproximando. Quem diria que o monstro seria capaz de se apaixonar.
O livro é a primeira parte de uma trilogia, e mal posso esperar pelo próximo. Não tem como o final ser feliz. É impossível torcer pelos personagens masculinos. Pet merece minha compaixão. Essa mulher nunca mais será “normal”. O que ela passou foi brutal. Ares a quebrou de forma majestosa. A fez ansiar por dor e prazer. No mundo real onde ela pertence, ela será sempre uma vítima das circunstâncias. Ele a condenou a uma vida infeliz.